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Irmãs faturam milhões com método contra aula chata de inglês
Método de ensino que tem feito sucesso em colégios particulares faturou nada menos que 9 milhões de reais este ano.
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Uma das apostas das sócias para o ano que vem é uma plataforma digital do Systemic

Estudar durante anos numa escola de línguas e ainda assim ter dificuldade na hora se comunicar é uma realidade para muita gente. Professoras de inglês desde a adolescência, as irmãs Vanessa e Fátima Tenório conhecem bem o problema e resolveram buscar uma solução.

Criaram assim o Systemic, um método de ensino de línguas que tem feito sucesso em colégios particulares e faturou nada menos que 9 milhões de reais este ano. Basicamente, em vez decorar os tempos verbais ou pronomes, o aluno estuda matemática, ciências ou história num segundo idioma, absorvendo a língua pelo uso.

“Fomos buscar maneiras de trazer uma educação mais consistente de segunda língua para crianças. E começamos a desenhar esse modelo que prevê o uso da língua para ensinar outras matérias e competências”, conta Vanessa. “Nos baseamos no princípio de que a língua é feita para se comunicar, e não só para ser estudada como matéria”, explica a empreendedora.

As sócias contam que sempre tiveram facilidade com línguas e desde a adolescência davam aulas de inglês. Ao terminarem a faculdade, decidiram abrir uma escola de idiomas em Maceió, onde moravam.

Porém, a dificuldade dos alunos em de fato se apropriarem da nova língua fez com que as irmãs começassem a buscar alternativas para o método de ensino.

“Buscamos teorias de psicólogos, pedagogos, fomos visitar escolas no exterior, fizemos uma pesquisa bem extensa”, conta Vanessa. Uma das experiências que ajudou na formulação do método envolveu a filha de Fátima. “Tive a oportunidade de acompanhar minha filha numa escola na Inglaterra, dentro da sala de aula, observando como ela se desenrolava naquela situação de língua estrangeira”, conta.

70 colégios

A pesquisa, que durou 17 anos e continua, deu origem a um método próprio de ensino bilíngue, que hoje é usado em 70 colégios regulares pelo Brasil. Em São Paulo, algumas das escolas que utilizam o método Systemic – voltado para crianças entre 2 e 14 anos – são Projeto Vida e Casinha Pequenina.

De acordo com as empreendedoras, o interesse das escolas pelo ensino bilíngue tem crescido muito, o que se reflete nos números da empresa. Em 2017, a Systemic faturou 9 milhões de reais. Para 2018, a expectativa é chegar aos 14 milhões de reais.

“Cada vez mais os alunos se afastam dos cursos de inglês e buscam isso nos colégios. Mas é preciso dar uma atenção especial para a qualidade do ensino que se vai oferecer”, afirma Fátima.

A busca por qualidade fez inclusive com que, em 2016, as irmãs decidissem abrir uma escola de inglês para estrangeiros nos Estados Unidos, depois de muita decepção com as escolas que encontravam por lá.

“Sempre enviamos alunos para estudar inglês fora, e queríamos oferecer uma experiência de acordo com o que acreditamos, para que eles de fato vivenciassem a língua”, afirma Vanessa. Batizada de Global Faces, a escola atende apenas alunos enviados pelas irmãs Tenório e oferece aulas de culinária, yoga, marketing e como falar em público, por exemplo – tudo em inglês.

Plataforma Digital

Uma das apostas das sócias para o ano que vem é uma plataforma digital do Systemic que promete enriquecer a experiência de alunos e professores. “Os alunos vão poder jogar um jogo sobre ciência em inglês, por exemplo. É uma ferramenta poderosíssima”, diz Fátima.

Outra novidade é um monitoramento das aulas por câmeras, com uso de uma tecnologia de reconhecimento facial para acompanhar o engajamento dos alunos.

“Vamos monitorar o engajamento do aluno na aula, através da análise das emoções usando reconhecimento facial. A base da educação é o aluno estar motivado para querer aprender. Se ele não estiver motivado, fecha o ouvido e não absorve nada”, afirma Vanessa.

As câmeras também serão usadas para acompanhar mais de perto o trabalho dos professores e dar um feedback para eles, dizem as empreendedoras.

No total, a empresa investiu 4 milhões de reais na área de tecnologia para viabilizar a plataforma digital. Todo esse investimento foi possível graças a uma parceria da Systemic com o governo de Alagoas e a Finep (empresa pública de fomento à ciência e inovação), que entrou com 3 milhões de reais. Boa parte do sistema deve estar pronto até o final de 2018.

 

 

Fonte: Exame