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Amargura
Trabalhadores da fruticultura vivem na pobreza, aponta levantamento
Com média salarial variando entre R$ 400 e R$ 900 por mês (menos de um salário mínimo, portanto), as pessoas que atuam neste setor recebem 56% a menos do que seria considerado “digno”
José Aldenir / Agora RN
Trabalhador durante colheita de melão em fazenda no interior do Rio Grande do Norte

Os trabalhadores da fruticultura no Rio Grande do Norte estão entre os 20% mais pobres da população brasileira, segundo o relatório “Frutas Doces, Vidas Amargas”, produzido pela organização Oxfam Brasil.

Com média salarial variando entre R$ 400 e R$ 900 por mês (menos de um salário mínimo, portanto), as pessoas que atuam neste setor recebem 56% a menos do que seria considerado “digno” pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo o estudo, a fruticultura não se configura como saída para o desenvolvimento regional do semiárido. Em todo o Nordeste, entre os 20 municípios que mais produzem melão no País, somente Mossoró tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) superior à média nacional.

O relatório da Oxfam Brasil analisou as cadeias do melão, uva e manga no Rio Grande do Norte e no perímetro irrigado do Vale do São Francisco (entre Pernambuco e Bahia).

Entre os potiguares, de acordo com o estudo, o salário que deveria ser pago aos trabalhadores da fruticultura deveria ser de R$ 1.820,62. “Em alguns locais, a remuneração média é de R$ 626 decorrente do período em que a pessoa fica ocupada – que é de cerca de quatro meses. Após a perda do trabalho, a remuneração cai para R$ 126”, explica Calixto Torres, auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho no Rio Grande do Norte.

Ele detalha que, em 2018, o órgão fiscalizou 200 empresas do setor da fruticultura no Rio Grande do Norte. Deste total, segundo ele, apenas 30% cumprem as leis trabalhistas, para proteger a integridade dos funcionários e garantir condições dignas de exercício das atividades.

“Há ainda uma dificuldade para que as empresas modernizem as relações de trabalho. Temos uma fruticultura moderníssima no que diz respeito à produção, mas é muito atraso no caso das relações trabalhistas”, finaliza.

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