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Contra o tempo
Porto de Natal quer reaver certificado de segurança para voltar a exportar
A segurança virou palavra de ordem no porto de Natal desde que a Polícia e a Receita Federal flagraram, no mês passado, dois contêineres de frutas com cocaína
José Aldenir / Agora Imagens
Almirante Elis Treidler Öberg, presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte

O novo presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Almirante Elis Treidler Öberg, projetou para 90 dias uma série de mudanças tendo em vista recuperar para o porto de Natal o ISPS (International Ship and Port Facílity Security Code) perdido em 2014.

Trata-se do código de segurança internacional aplicável tanto aos navios, quanto às instalações portuárias, sem o qual não é possível se obter a certificação da Organização Marítima Internacional (IMO).

A segurança virou palavra de ordem no porto de Natal desde que a Polícia e a Receita Federal flagraram, no mês passado, dois contêineres de frutas com mais de três toneladas de cocaína.

Entre 2015 e 2017, a Codern vem recebendo advertências por parte da Receita Federal e, segundo o Agora RN apurou, a qualquer momento o terminal deve receber uma notificação suspendendo toda e qualquer operação de exportação e importação, tendo 20 dias para ingressar com a defesa.

Nesta terça-feira, 13, a suspensão das exportações por parte da CMA/CGM foram objeto de uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a presença de representantes da Receita Federal, classe produtiva e políticos;

De início, o Almirante se propôs dobrar o número de câmeras de monitoramento no porto, que chegariam a 80, e número de guardas. E, a toque de caixa, fazer a cotação para aquisição ou aluguel de um equipamento que atenda as exigências da Receita.

A ideia de reformar um scanner da Receita para colocá-lo funcional foi logo descartada e a de alugar um equipamento, ressuscitada, apesar do alto custo. “A máquina em questão estava parada havia uns 10 anos em Suape (porto pernambucano) antes de vir para cá e é completamente obsoleta para a função de identificar conteúdos”, disse uma fonte da Receita.

Absorvido completamente pela suspensão das operações no porto de Natal, que deixará de embarcar só este mês perto de três mil contêineres, o novo presidente da Codern ainda não visitou o porto ilha de Areia Branca, onde está baseada toda a movimentação de sal do RN, maior produtor e exportador brasileiro do produto.

Ali, segundo ele tem admitido, os problemas são extremamente graves e precisam ser atacados rapidamente. A um interlocutor, ele teria dito que num terminal como o porto ilha a manutenção deve ser permanente, não periódica, e que pretende tomar providências tão logo tenha tempo.

“Pela primeira vez a gente sente que está tratando com alguém que entende do riscado e que nos dá esperança sobre a possibilidade de trazer de volta a navegação de cabotagem para Natal”, afirma o presidente do Sindicato dos Estivadores, Lenilto Caldas.

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