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Prejuízo
Porto de Natal deixará de exportar 3 mil contêineres em março
Nesta segunda-feira, a Codern decidiu, em caráter de emergência, restaurar um scanner encostado para cumprir uma das normas de segurança exigidas pela CMA/CGM
José Aldenir / Agora Imagens
A Codern decidiu, em caráter de emergência, restaurar um scanner encostado para cumprir uma das normas de segurança exigidas pela CMA/CGM

O Porto de Natal deixará de movimentar em março perto de 3 mil contêineres com a decisão da CMA/CGM de suspender sua escala semanal. O cálculo é dos sindicatos de trabalhadores que operam no terminal.

Os principais produtos que deixarão de ser escoados são principalmente frutas e minério. Só na primeira quinzena de fevereiro, segundo a mesma fonte, foram exportados pelo terminal 2.538 contêineres, quando teve início a paralisação da companhia francesa.

A CMA/CGM, responsável pelas exportações de frutas e outras mercadorias, tomou essa decisão depois da apreensão, pela Receita e Polícia Federal, de 3.275 quilos de cocaína no Porto de Natal, numa única semana, na primeira quinzena de fevereiro.

Nesta segunda-feira, 11, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) decidiu, em caráter de emergência, restaurar um scanner encostado para cumprir uma das normas de segurança que fizeram o porto, há alguns anos, perder a certificação do Código Internacional para Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS CODE).

Seria uma medida paliativa até que se obtivessem os recursos para a aquisição de um equipamento novo avaliado em mais de R$ 10 milhões.

Uma outra proposta examinada pela Codern, mas descartada pelo alto custo, foi o aluguel de um scanner, uma despesa entre R$ 250 mil a R$ 400 mil mensais.

O equipamento é indispensável no rastreio de drogas e armas dentro das cargas. Com o endurecimento da fiscalização nos portos do País, os traficantes começaram a passar a drogas em contêineres refrigerados por Natal na certeza de que as autoridades não as abririam, já que isso prejudicaria a carga perecível.  

Nesta segunda-feira, falando de São Paulo onde tem uma reunião agendada para esta semana com a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, o presidente da Agrícola Famosa e maior exportador de frutas do Brasil, Luiz Roberto Barcelos, disse que o prazo limite para resolver a crise no porto de Natal é agosto, quando recomeçam as exportações de frutas.

“Exportar pelo porto de Mucuripe, no Ceará, não encareceria tanto para os exportadores potiguares de fruta (algo ao redor de R$ 400,00 por contêiner, dependendo da localização da propriedade), mas seria péssimo economicamente para o RN, cujo estado vive a pior situação fiscal de sua história”, lamentou o empresário.

Ainda nesta segunda-feira, a Codern publicou no Diário Oficial da União balancete patrimonial fechado em 31 de julho de 2018, referente as estruturas do RN e Alagoas, ambas administradas por aqui, dando conta de um prejuízo acumulado superior a R$ 1 bilhão. A cada R$ 1,00 de dívida, a Codern só tem R$ 0,45 de ativos (bens e direitos) para pagar.

Nesta terça-feira, 12, acontece na Assembleia Legislativa, a partir das 14 horas, uma audiência pública para debater a paralisação das exportações no porto de Natal.

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