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Guedes afirma que não será tolerada compra de influência nos bancos públicos
Ministro destacou a importância da transparência e da governança como princípios norteadores para a atividade do banco público
Sergio Moraes / Reuters
Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, 7, que o governo do presidente Jair Bolsonaro não vai tolerar compra de influência política nos bancos públicos e, consequentemente, o uso de recursos na direção equivocada. A declaração foi feita em cerimônia de transmissão de cargo da presidência da Caixa, instituição que nos últimos anos se viu no epicentro de uma série de escândalos envolvendo troca de favores para liberação de crédito facilitada do banco.

Em um dos episódios mais recentes, o ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun – que teve sua indicação ao conselho de Itaipu ratificada por Bolsonaro – afirmou no fim de 2017 que esperava apoio à reforma da Previdência dos governadores que estavam recebendo créditos da Caixa.

“Não será tolerada compra de influência ou uso de recurso público na direção equivocada”, afirmou Guedes. O ministro disse que a Caixa “foi capturada e se perdeu” e elencou uma série de ativos problemáticos, como o FI-FGTS, fundo de investimentos com recursos do FGTS. “O FI-FGTS irrigou coisas que não era para irrigar”, citou Guedes. “A primeira coisa é pegar esse FI-FGTS e reavaliar isso tudo”, acrescentou o ministro.

Guedes destacou a importância da transparência e da governança como princípios norteadores para a atividade do banco público. Segundo ele, as instituições públicas têm papel extraordinário em qualquer sociedade, mas é preciso agir segundo esses princípios, sem conflito de interesses. “A sociedade precisa saber se instituição serve a grupo político, à pirataria privada ou ao País”, disse.

Para ele, é preciso visar o retorno para a Caixa em vez de simplesmente “financiar campeões nacionais”.

Guedes lembrou ainda que o mensalão e o “petrolão” ocorreram em empresas estatais, e que a própria Caixa teve problemas. “Ninguém é infalível. Investimento dá errado, é da vida, mas corrupção é intolerável”, assegurou. O ministro disse também que o Tribunal de Contas da União (TCU) tem sido vigilante e que a interação do órgão de controle com o novo governo tem ocorrido desde o primeiro dia.

Potencial econômico

Guedes afirmou que o novo presidente da Caixa vai “tangibilizar” o potencial econômico que existe dentro da Caixa e fortalecer a instituição. “Pedro tem capacidade de trabalho, história longa e bem-sucedida no mercado de capitais e visão grandiosa de futuro”, afirmou durante cerimônia de transmissão de cargo.

Guedes ressaltou ainda que o ponto de virada de recuperação da Caixa dos escândalos e desvios de recursos descobertos recentemente já começou na última gestão, de Nelson Antonio de Souza, e que vai continuar com Guimarães.

O novo presidente da Caixa havia agradecido mais cedo a Guedes e ao presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, por ter apresentado ele à equipe do atual ministro. Guimarães atribuiu a Novaes essa interlocução, mas Guedes fez questão de ressaltar que já tinha seu nome em mente. “Você acha que chegou depois do Rubem, está enganado, eu que falei de você”, brincou.

Segundo o ministro, à medida que a Caixa se recupere, haverá dois desafios: um interno, que é a meritocracia, e um externo, que é a governança.

Guedes defendeu que a nova gestão não deve olhar para trás, pois os atos passados serão analisados pela Justiça. “Temos que olhar para frente”, afirmou. Mesmo assim, ele citou como exemplo a questão da publicidade. “Com um centésimo (do valor gasto) da outra direção, podemos fazer trabalho melhor”, disse.

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