Mercado
Exportação de melão para China pode começar em três meses, garante Coex
Presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN, Luiz Roberto Barcelos, assegura que está no final a novela da abertura do mercado chinês para a as frutas brasileiras iniciada em 2004
As frutas, como o melão, lideram a lista de produtos mais exportados
Foto: Divulgação / Agência Sebrae
Em três meses todas as tratativas do comércio do melão estarão superadas

A fase de análise de risco de pragas – última etapa antes do início das exportações de melão potiguar para a China – finalmente entrou na reta final. O processo vem sendo trabalhado pelos produtores e governo brasileiro desde 2004.

Uma última estimativa do presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN, Luiz Roberto Barcelos, é de que nos próximos três meses todo esse processo esteja concluído com o fechamento de um parecer técnico do Ministério da Agricultura brasileiro enviado ao governo chinês.

“Uma última exigência dos chineses para que os exportadores brasileiros envelopem os pallets com frutas com uma tela protetora contra mosquitos antes de embarcar já foi aceita pelos produtores brasileiros”, explicou Barcelos.

Mas há outras questões a resolver. Inicialmente, como contrapartida comercial, os chineses queriam receber o melão brasileiro em troca das maçãs deles. Mas, para não prejudicar os produtores nacionais, o governo brasileiro abriu a possibilidade de o País importar peras da China, informou Barcelos. China, Itália e Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de pera.

Embora também essa possibilidade preocupe o lobby de produtores brasileiros de maçã, pois concorreria no consumo interno do produto, as conversas continuam intensas para contornar esse óbice, adiantou Barcelos.

A abertura do mercado chinês chega no momento em que a exportação brasileira de melão bateu recorde no ano passado, com 233,65 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 162,92 milhões.

“Acredito que teremos um novo recorde este ano com um reforço das encomendas do Oriente Médio”, acredita o empresário, que é o principal executivo da Agrícola Famosa, maior exportador de frutas do País.

A nova rota chinesa terá como destino Cingapura, via canal do Panamá, com 28 dias de duração, possibilitando que a fruta chegue em condições de consumo. Para a Europa, mercado brasileiro consolidado há muitos anos, o produto leva, em média, 21 dias para chegar ao consumidor.

Já sobre perspectivas da fruta brasileira no Leste Europeu, Barcelos está tranquilo. “Com relação ao mercado russo, não temos qualquer barreira fitossanitária a superar e se trata apenas de vencer questões comerciais”, assegura.

Hoje, o consumo per capita de melão no Brasil é de 56 quilos, ao passo que nos países desenvolvidos chega a 120 quilos. “O potencial de crescimento é realmente muito grande”, lembra o empresário.

As frutas ocupam o primeiro lugar na pauta de exportações do RN, com 117,6 mil toneladas exportadas nos dez primeiros meses do ano passado, uma receita de US$ 77,5 milhões. A expectativa é que o volume exportado dobre a partir da inserção no comércio chinês.