Aproveitamento
Casas de farinha do Agreste podem ganhar dinheiro com rejeito da mandioca
Alternativa está no aproveitamento da manipueira, um resíduo líquido altamente poluente que degrada os cursos d’água, lagoas e o solo
José Aldenir/ Agora Imagens
Milton Duarte, dono de casa de farinha no Agreste potiguar

As tradicionais casas de farinha do Agreste potiguar – cerca de 300 distribuídas num raio de 50 quilômetros nos municípios de Brejinho, Vera Cruz, Lagoa de Pedra, Santo Antônio, Boa Saúde e Lagoa D’anta – começam a debater a transformação de um grave e antigo problema ambiental numa solução economicamente viável para os produtores.

A alternativa está no aproveitamento da manipueira, um resíduo líquido altamente poluente que degrada os cursos d’água, lagoas e o solo. Ela é extraída da mandioca durante o processo de fabricação da farinha e produz um liquido carregado de ácido cianídrico, venenoso e nocivo à alimentação humana e animal.

Ao receber tratamento biológico adequado, todo esse descarte diário na região estimado em 300 mil litros diários poderia seria convertido em 15 mil litros diários de álcool de cereais um faturamento de largada aos preços de mercado de R$ 240 mil por mês.

Depois de assumir a produção de uma casa de farinha, há um ano e meio, o advogado Milton Duarte começou a conversar com outros produtores a possibilidade de unir forças para a criação de um projeto integrado de aproveitamento de toda a manipueira.

Mercado não falta, garante o empresário. Ele mesmo já começou a conversar com potenciais clientes no RN e em Pernambuco, que, juntas, consomem 50 mil litros de álcool de cereais que podem ser atendidos com a produção originada a partir da tóxica manipueira.

No Agreste potiguar, explica ele, o descarte, em condições precárias de acumulação, polui o subsolo e, com a chuva, chega facilmente aos mananciais hídricos como lagoas e riachos. “O prejuízo ambiental é imenso”, assegura o advogado e produtor de farinha.

Uma planta com capacidade para mil litros dia desse álcool especial custa R$ 1 milhão. A proposta é captar esse investimento e organizar a captação e entrega desse rejeito a partir de um sistema cooperativo.

“O desafio é mostrar aos donos das outras casas de farinha que é possível matar dois coelhos de uma vez só, dando destino adequado a manipueira e, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro com o que vai para o descarte”, diz o empresário.