Embate
Briga de Davi contra Golias no mercado fitness de Natal movimenta academias
Enquanto grandes franquias se espalham pela cidade, derrubando preços da mensalidade pela via da escala, pequenos investem no atendimento com mais instrutores por turno
José Aldenir/ Agora Imagens
Só em Natal existem 450 academias registradas no Conselho Regional de Educação Física

Para fugir do assédio das gigantescas franquias fitness, algumas delas instaladas também em outros países e operando na Bolsa, pequenas, médias e até grande academia de Natal foram obrigadas a investir em atendimento à clientela.

“É uma luta de Davi contra Golias”, diz Murilo da Silva Ferreira, da Musfi, uma das poucas – não franquias – que operam numa área de 450m² e receberam um investimento de R$ 500 mil em equipamentos.

Mesmo ele, que tem uma clientela cativa, confessa que a vida não tem sido nada fácil depois que as grandes franquias espalharam suas estruturas gigantescas pela cidade. “Onde abre uma, quem for pequeno, fecha rapidamente”, garante Murilo.

Hoje, só em Natal, existem 450 academias registradas no Conselho Regional de Educação Física, que tem 900 ao todo no estado.

A diretora administrativa do Conselho, Cise Diógenes, imagina que existem muitas outras sem registro funcionando por ai. Mesmo assim, segundo ela, o crescimento no volume de novos registros é de 20% ano.

“Não se trata de academias novas, mas de empresas que já existiam e resolveram se filiar ao Conselho como uma forma de mostrar aos clientes que contam em seus quadros com estrutures formados em Educação Física”, afirma.

Apesar de ter deixados de ser uma seccional da Paraíba há três anos e ter apenas dois fiscais para cobrir todo o RN, as academias já entenderam a importância o certificado do Conselho fixado na parede.

Mas há outras razões para isso.

“Se as grandes franquias podem e derrubar os valores das mensalidades lá pra baixo, os menores buscam compensar com mais professores”, explica Murilo Silva Ferreira.

Ele assegura que as grandes mantem, em média, um educador físico para cada 100 alunos por turno. Esse profissional está lá para corrigir posturas ou imprecisões no uso dos equipamentos quando é solicitado ou percebe algo errado. E, é claro, para pescar algum cliente particular.

“Já as academias não ligadas a franquias chegam a ter de três a cinco profissionais por turno para compensar suas mensalidades mais altas e não beneficiadas pela escala das franquias”, analisa.

Quanto mais aluno, menor o preço das mensalidades. Esta é a escala a que Murilo se refere. Segundo ele, os investimentos são também muito diferentes das franquias para as academia que começaram a funcionar com capital de seus sócios.

“Essa variação é de um investimento de R$ 100 mil para as pequenas estruturas para R$ 3 milhões das Smath Fit da vida”, diz ele.

O resultado prático disso são variações de até 100% no valor das mensalidades, além de vantagens adicionais oferecidas pelas mega estruturas, como equipamento novinho de ponta e ambiente climatizado.

Cintia, frequentadora assídua de academias em Natal, lembra que as pessoas com maior poder aquisitivo gostam de grandes estruturas por razões bem específicas.

Consumidores vorazes de moda fitness, que fatura bilhões anualmente no País, muitos da elite econômica têm por hábito levar à tiracolo seus próprios preparadores ou personal trainers.

“O que eles não pagam para usar a estrutura, pagam pela hora de seus preparadores pessoais”, lembra.