Taxa do aço
Brasil afirma que recorrerá a “todas as ações necessárias” para preservar interesses
Assinatura do decreto que oficializa as novas taxas para importação de aço e alumínio pelo presidente dos EUA foi um balde de água fria nos planos do governo brasileiro
Peter Power/ Reuters
Imagem ilustrativa

A assinatura do decreto que oficializa as novas taxas para importação de aço e alumínio por Donald Trump foi um balde de água fria nos planos do governo brasileiro, que ainda tentava excluir o Brasil da lista de países atingidos pela medida. Nesta quinta-feira, 8, o Brasil divulgou nota em que disse que recorrerá a “todas as ações necessárias”para preservar seus direitos e interesses.

“Ao mesmo tempo em que manifesta preferência pela via do diálogo e da parceria, o Brasil reafirma que recorrerá a todas as ações necessárias, nos âmbitos bilateral e multilateral, para preservar seus direitos e interesses”, afirma nota assinada pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Marcos Jorge, e Relações Exteriores, Aloysio Nunes. No texto, o governo ressalta que as medidas causarão graves prejuízos às exportações brasileiras e terão “significativo” impacto negativo nas relações comerciais e de investimentos entre os dois países.

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Embora a reação do governo brasileiro tenha sido dura, a estratégia permanece a mesma, segundo apurou o Estadão/Broadcast. O País pretende insistir na tese de que as exportações de produtos siderúrgicos complementam, e não ameaçam a indústria siderúrgica norte-americana e esgotar o diálogo com o governo Trump antes de partir para outros instrumentos, como o recurso a organismos internacionais para reafirmar que o argumento da ameaça à segurança nacional não se sustenta.

O embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, afirmou que o País têm condições para negociar com a administração Trump para retirar o País da lista de nações afetadas. “Temos contato com a bancada do aço no Congresso, com as indústrias americanas”. De Nova York, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo está aberto a negociações.

Recursos

Para o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, o Brasil entrará imediatamente com recurso contra a decisão de Trump, mas, de outro lado, o governo brasileiro precisará colocar na mesa a necessidade de proteção do mercado brasileiro, visto que o fluxo de aço que deixará de ser direcionado aos Estados Unidos poderá recair no Brasil. “Esperamos agora que o Ministério da Fazenda tenha sensibilidade de que há uma guerra comercial detonada pelo Trump de proporções grandes”, disse.

O setor do aço defende há muito tempo a adoção de medidas protecionistas pelo governo brasileiro. “Há um grande excesso de capacidade global de aço. O Brasil já é vulnerável para o recebimento de volumes de importação”.

Para o gerente executivo da unidade de assuntos internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diego Bonomo, a decisão dos Estados Unidos vai “flagrantemente” contra as normas internacionais.