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Mercado
Bolsa atinge novo recorde e dólar fica abaixo de R$ 3,80 à espera da reforma
Plenário da Câmara vota texto em primeiro turno nesta quarta-feira; Placar da Previdência do 'Estado' mostra que governo já tem o apoio necessário para aprovar proposta
Suamy Beydoun / Agif
A divulgação do IPCA de junho também entrou no radar dos investidores da B3

No dia em que o plenário da Câmara dos Deputados começa a votar a reforma da Previdência, o Ibovespa, principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, atingiu uma nova marca recorde, ultrapassando os 106 mil pontos nesta quarta-feira, 10 – a alta é generalizada entre as ações. Nos últimos dias, o Ibovespa tem batido recordes seguidos com o otimismo em relação à reforma.

Às 12h51, o Ibovespa tinha alta de 1,81%, chegando aos 106.423,69 pontos. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 3,7650, com baixa de 0,55%. A moeda chegou a cair para R$ 3,7607, o menor nível desde 20 de março.

A sessão da Câmara foi aberta ainda de manhã, mas a votação, de fato, só deve começar por volta das 15h, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O texto precisa de 308 votos para ser aprovado, em dois turnos. Às 10h14, o Placar da Previdência feito pelo Estado mostrava que o governo já tem os 308 votos necessários para aprovar o texto.

Maia acredita que há condições de votar os dois turnos esta semana. “Vamos até o sábado. Se necessário, até o domingo”, afirmou. A estratégia é evitar deixar a votação do segundo turno para depois do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho.

O deputado desistiu de recepcionar o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta no Congresso, como havia sido informado na terça. Bolsonaro foi ao local para participar de um culto da Frente Parlamentar Evangélica ministrado pelo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. Ele também participou por alguns minutos de uma sessão solene no plenário da Casa em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal do Reino de Deus.

O mercado acompanhou também nesta quarta a divulgação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nesta manhã, que fechou junho com alta de 0,01%, ante recuo de 0,15% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a menor variação mensal do indicador desde novembro de 2018, quando houve queda de 0,21%.

Cenário externo
Em menor grau, mas com efeito importante também nos resultados da Bolsa e do dólar nesta quarta, está o fator externo. As Bolsas de Nova York estão registrando marcas recordes enquanto ganha força a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adotar ritmo mais forte na esperada redução dos juros no país neste mês.

O movimento segue a declarações do presidente da instituição, Jerome Powell, que reafirmou nesta manhã o quadro de incertezas e inflação fraca no país.

Ainda que a estimativa no Brasil também seja de corte da Selic, diante da inflação baixa e da expectativa de aprovação da reforma previdenciária, o juro brasileiro ainda ficará acima dos nível do norte-americano. Em tese, tende a favorecer os mercados acionários de emergentes, inclusive a B3.

“Mas não basta só encaminhar apenas a parte do fiscal. Precisamos ver como virão os resultados das empresas referentes ao segundo trimestre. Com a reforma da Previdência encaminhada, temos de avaliar como o ambiente corporativo reagirá. Se reagir bem, pode ter espaço para novos ganhos”, avalia Gabriel Ribeiro, da Necton.

O analista Thiago Salomão, da Rico Investimentos, afirma, em nota, que boa parte da expectativa de aprovação já está incorporada nos ganhos do Ibovespa. No entanto, a combinação de “reforma aprovada mais juros baixos no mundo” deve sustentar o otimismo na B3 no longo prazo.

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