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Queda
Após terceiro maior ganho da história, dólar abre o dia em queda
Com a crise política, a Bovespa desabou 8,80%, pior registro desde 2008; o dólar saltou 8,07%, o terceiro maior ganho da história frente o real
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Imagem meramente ilustrativa

Os mercados locais devem se manter sob cautela, após registrarem na última quinta-feira, 18, o dia mais turbulento desde a crise mundial de 2008, reagindo à delação de Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, que coloca o presidente Michel Temer no centro da crise política. Às 9h30 o dólar operava em queda de 2,33%, a R$ 3,3059.

Na quinta-feira, a Bovespa desabou 8,80% – maior desde outubro de 2008 -, o dólar saltou 8,07% – terceiro maior ganho da história frente o real, mesmo após cinco operações cambiais realizadas pelo BC, que vendeu no mercado futuro um total de 88.000 contratos de swap (US$ 4,400 bilhões) em quatro leilões extraordinários, além da rolagem dos contratos que vencem em junho, que já estava prevista.

As taxas de juros fecharam nos limites de oscilação máxima, com alguns agentes descartando a possibilidade de haver redução da Selic na reunião do dia 31 de maio, sobretudo diante da pressão no câmbio. O que é dado como certo é que não há mais ambiente para acelerar o ritmo de corte para 1,25 ponto porcentual.

Em função da alta volatilidade do mercado na véspera, o Tesouro fará operações extraordinárias de compra e de venda de LTN, NTN-B e NTN-F entre hoje e a próxima terça-feira (23/5). Temer orientou sua equipe a “partir para o enfrentamento”, na tentativa de mostrar que não está acuado com as delações da JBS nem com o inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-lo.

Os ativos domésticos podem continuar sob pressão, apesar do clima positivo externo, após Temer dizer que não renuncia e tendo em vista que os relatores das reformas da Previdência na Câmara e da trabalhista, no Senado, já disseram que não há clima político para a continuidade agora da tramitação das medidas encaminhadas pelo governo.

Exterior

No exterior, as bolsas na Ásia subiram nesta sexta-feira, 19, assim como também operam com sinais positivos na Europa e futuros de Nova York, após registrarem perdas recentes em meio à turbulência política nos EUA. Segundo analistas, porém, os investidores continuam atentos a desdobramentos da crise política em Washington e acompanharão também o recente escândalo envolvendo Temer.

ADRs

Os American Depositary Receipts (ADRs) de Petrobras e Vale operam em forte alta nos negócios do pré-mercado em Nova York, sugerindo que a abertura no mercado à vista será positiva. Por volta das 7h40 (de Brasília), o ADR de Petrobras avançava cerca de 7%, enquanto o da Vale subia mais de 3%. Ontem, os ADRs da petrolífera sofreram um tombo de 21,47% e os da mineradora caíram 6,32%, na esteira da crise política.

ETF

O mais popular fundo de índice de ações do Brasil negociado no Japão, o Next Funds Ibovespa Linked ETF, registrou fortes perdas pelo segundo dia consecutivo. O ETF brasileiro fechou em baixa de 6,52% em Tóquio hoje, após sofrer um tombo de 7,54% na sessão anterior.

Impeachment

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) convocou uma sessão extraordinária de seu Conselho Federal para este sábado, 20, a fim de discutir a possibilidade de pedir o impeachment do peemedebista. No Congresso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê eleição direta em caso de vacância da Presidência da República, seja em função de renúncia, impeachment ou cassação do mandato pela Justiça Eleitoral, será pautada para ser analisada pelos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na terça-feira, dia 23.

Apresentado pelo deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), o texto propõe que a população, e não só os deputados e senadores, tomem essa decisão, via voto popular. Já a Câmara dos Deputados recebeu, até a noite desta quinta-feira, oito pedidos de impeachment de Temer.

Além de parlamentares da oposição, um grupo de ao menos sete parlamentares do PSDB, considerado o principal aliado do governo, protocolou um desses pedidos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que ainda não tomou decisão sobre os pedidos.