Salgado
Altas consecutivas nos preços da gasolina inquietam consumidores natalenses
É o velho fantasma do combustível caro que assombra consumidores ao longo da história. Mas a impressão agora é de que os preços podem ficar insustentáveis no orçamento
Combustíveis gasolina (José Aldenir)
José Aldenir / Agora Imagens

Um aumento médio de R$ 0,30 no preço do litro da gasolina – resultado do último repasse da Petrobras para o preço dos combustíveis nas refinarias – bastou para que a semana começasse com uma avalanche de consultas às empresas especializadas na instalação de kits do Gás Natural Veicular (GNV).

Gilvan Barreto, gerente da mais antiga empresa instaladora, há 18 anos no mercado, lembra que nos três primeiros dias desta semana houve um aumento repentino de 50% nas consultas para instalação kits de GNV. Para cada quatro consultas, diz ele, um motorista acaba fazendo o serviço.

É o velho fantasma do combustível caro que assombra consumidores ao longo da história. “Mas agora a impressão das pessoas é que entramos numa sequência de altas que elas não sabem onde vai parar”, diz Gilvan.

Quem trabalha usando muito o carro, como motoristas de aplicativos e representantes comerciais, estão assustados com a velocidade dos reajustes aplicados pela Petrobras, obedecendo a variação do preço do barril no mercado internacional.

Motoristas do aplicativo Uber, cujos reajustes não obedecem ao sobre e desce dos combustíveis – que mais sobem do que descem – acabam de criar um sindicato próprio para defender suas margens de lucro – o Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos do Rio Grande do Norte.

Gilberto Herculano Sabino, motorista do Uber há quatro meses – não tem kit gás no carro, mas diz que é a primeira coisa que pretende fazer.

Em média, ele roda 300 km p0r dia e abastece diariamente, deixando nas bombas dos postos mais de R$ 1.500,00 por mês.

“É muita grana meu amigo”, diz ele. “Lá em casa são três dirigindo Uber e a primeira coisa que nós vamos fazer é colocar gás em todos os carros”, assegura.

O representante comercial Alexandro Meireles de Melo roda 3 mil km por mês, em média, e seu custo com combustível varia entre R$ 1,7 mil a R$ 2 mil.

“Como vendo serviço, não poderei repassar o custo do combustível e o aumento vai impactar diretamente minha margem de lucro”, lamenta.

Mesmo assim, Alex, como é mais conhecido, não pensar usar GNV no seu carro, pelo menos por enquanto. Agora, que está preocupado com os aumentos seguidos do combustível, está e muito.

“Essa coisa virou uma dor de cabeças daquelas pra mim”.