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Mercado Agora

Daniel Paiva
Mercado digital não toma conhecimento da crise brasileira

Você já comprou um infoproduto? Ou melhor, você sabe o que é um infoproduto? Pode até não ter notado, mas, com certeza, já consome ou consumiu alguns infoprodutos, ainda que não seja usuário ativo da internet, de um smartphone.

Sabe-se que nas crises econômicas muitas empresas fecham suas portas, enxugam custos ao extremo, se reinventam buscando novos mercados, novos produtos, novas formas de trabalhar e atender clientes. Ano passado houve, especialmente nos primeiros quatro meses, um número expressivo de abertura de novas empresas, a grande maioria delas MEIs (microempreendedor individual). Isso pode ser creditado à necessidade das famílias brasileiras de ter uma fonte de renda extra, além do emprego formal com carteira assinada, ou mesmo ao movimento empreendedor por necessidade de sobrevivência, ou seja, pessoas que antes tinham seus empregos, agora desempregadas, buscaram no empreendedorismo não apenas materializar seus sonhos e suas ideias, mas um combo de Oportunidade x Necessidade x Falta de Alternativas, explicado pela famosa frase “a fome com a vontade de comer” (a fome de empreender em algum momento da vida com  a necessidade real de trazerem, dentre outros itens, o alimento para si e para seus dependentes).

Em Natal-RN foi visível o aparecimento de muitos pequenos negócios no segmento de gastronomia e moda (segmento que já foi tema de uma de nossas colunas, aqui no Agora Jornal). São cafeterias, docerias, padarias, lojas de acessórios para mulheres e homens, roupas, etc. (Como militante há mais de 18 anos pelo empreendedorismo verdadeiro – aquele que não é alimentado por esquemas com o setor público – vibro com esta ascensão empreendedora em nosso estado!). Estes segmentos citados aqui e muitos outros foram alavancados pela internet, onde os empreendedores usando redes sociais, promoveram seus pequenos negócios, com investimento consideravelmente menor, obtendo resultados satisfatórios, alguns até mesmo mudando de patamar, ampliando e crescendo em pouquíssimo tempo de existência.

A internet tem muita participação no pequeno (para não dizer inexistente) crescimento da economia brasileira nos últimos 3 anos. Não apenas por alavancar a venda de produtos físicos, tangíveis, mas por promover os infoprodutos, aqueles produtos que não podemos tocar com as mãos, mas que têm igual ou maior volume que os produtos tradicionais, como bolsas, sapatos, móveis e outros. Os infoprodutos aos quais refere-se este artigo não são computadores ou smartphones, ou mesmo HDs e similares. São os conteúdos. Oferecidos aos montes, gratuitamente ou não, os conteúdos sobre praticamente todos os temas de interesse profissionais ou não, associados à carreira profissional, à vida acadêmica, ao desejo de estudar fora do Brasil, a como ser um criador de infoprodutos, enfim, todos estes temas possuem inúmeros vendedores de conteúdos/infoprodutos.

Um livro digital é um infoproduto. Um vídeo que você acessa por um site ou blog de empresa ou pessoa física é um infoproduto. Treinamentos, palestras, apresentações, filmes (aqueles da Netflix também!), todos estes conteúdos são, na verdade, produtos, infoprodutos. Eles estão em todos os locais e plataformas da internet, nos PCs e na sua mão, através dos celulares tipo smartphones (aliás, smartphone já pode ser considerado o novo, ou melhor, o atual nome do aparelho apresentando ao mundo como telefone celular).

O mercado digital não tomou conhecimento da crise econômica brasileira, e vem crescendo como nunca. A cada dia vemos em nossa timeline mais e mais posts patrocinados, com pessoas querendo vender seus conteúdos, apresentando-nos formas de adquirirmos isso ou aquilo, de conseguirmos alcançar metas pessoas, de como vendermos mais, de como seria a melhor maneira de aprendermos outro idioma, e tantas outras formas e maneiras para tantas coisas.

Isso é maravilho, porque as pessoas estão compartilhando seus conhecimentos, adquiridos com anos de vivência em suas profissões, robustecidos pela rodagem que só a vida pode dar a um profissional, a uma pessoa. Existe muito conteúdo útil na internet, hoje em dia. Faça bom proveito do seu infoproduto, e cresça com ele. Ah! E depois, quem sabe, compartilha com a gente através da própria internet. Já pensou? Será muito bom para todos, e ainda pode te gerar uma grana, quem sabe até uma nova empresa, um novo negócio. Boa sorte!

Reformas abrirão novos mercados e ampliarão “na marra” visão do brasileiro

Tratando-se do atual momento político e econômico, poderíamos dividir o Brasil em duas partes: a que está parada e a que está tentando andar. Esta última tem pautas importantíssimas, que podem melhorar o desempenho econômico atual dando novas e boas perspectivas para o futuro de médio e longo do mercado nacional, principalmente por trazer consigo duas (das tantas necessárias, a começar pela política) reformas de suma importância: a da previdência e a trabalhista.

Estas duas reformas mexerão com os atuais padrões das possibilidades de aposentadoria pelo sistema público (INSS) e da relação trabalhista, do empregado com o empregador. Sem entrar no mérito se são boas reformas ou não (não temos espaço nesta coluna; quem sabe numa próxima), considerando os milhares de interesses coletivos e individuais envolvidos em ambas, as duas deverão provocar uma revolução no mercado de trabalho e na forma como vemos nossos proventos para o fim da vida, quando não estivermos mais ativos no mercado de trabalho.

A reforma trabalhista, nos moldes em que está (hoje no Senado) deverá provocar duas situações: um grande número de pessoas buscando o mercado financeiro (seja como empreendedor, seja como investidor), e a mudança de visão sobre as formas de previdências para remuneração após aposentaria. Essas duas “revoluções”, possivelmente, acontecerão no Brasil, pois, ficará claro para cada um de nós que a melhor forma de garantir o futuro é gerirmos nossos ganhos nós mesmos. E isso já é possível, por exemplo, através da compra de títulos da dívida pública via Tesouro Direto, onde qualquer pessoa, a partir de R$ 100, pode comprar papéis e garantir seus ganhos futuros. Em Natal já existe empresa (pelo menos uma) que oferece em seu escritório treinamento para que pessoas operarem seus ativos na Bolsa de Valores, sem custo para elas, e ainda remunerando-as por comissão pelos ganhos obtidos nas transações financeiras, modelo de negócio que já existe nos EUA há algum tempo.

A ideia de “pessoa-empresa” ganhará muitos adeptos nos próximos anos, onde um profissional torna-se empresa, ainda que preste serviços corriqueiros para outra empresa, mas receberá todo o dinheiro acordado em contrato, aplicando onde julgar interessante, e não mais dando parte dos seus rendimentos ao governo, sem escolha de não fazê-lo, vendo – o ser aplicado em fundos que rendem (pra não dizem que dão prejuízo ao contribuinte) praticamente nada.

Ainda estamos muito presos à ideia de que o Estado cuidará de nós quando ficarmos velhinhos, que nos dará hospitais com médicos e remédios, que dará segurança, e nos oferecerá boas condições de vida para desfrutarmos dos nossos últimos anos, décadas… Mas, temos visto, até aqui, que isso não é verdade. As reformas deixarão isto ainda mais claro, pelo menos para alguns.

Alta gastronomia cai na graça dos potiguares

Considerando os momentos difíceis que a economia brasileira tem vivido nos últimos 36 meses, em especial em estados como o Rio Grande do norte, onde as engrenagens que fazem girar o motor da economia são limitadíssimas, vale destacar uma delas: a gastronomia, ou a alta gastronomia (como preferir).

É bem verdade que restaurantes tradicionais da capital já colocavam Natal no roteiro gastronômico do Brasil há alguns anos. Além dos deliciosos e renomados pratos regionais servidos em restaurantes como o Mangai (que é paraibano, mas que ganhou fama em Natal), e nosso fruto do mar mais famoso, o camarão, apresentado com maestria aos turistas que visitam Natal, preparado de diversas formas, onde praticamente todas encantam pelo sabor e chamam atenção dos turistas pelo excelente custo benefício (em média R$ 30,00, R$ 40,00 por pessoa), as ruas de Natal, Mossoró, e a extensão do litoral potiguar tem recebido novos empreendimentos gastronômicos, com enorme diversidade de sabor.

Hoje há diversidade de cozinhas para todos os gostos. Japonesa (que merece destaque pelo crescimento nos últimos dois anos), tailandesa, chinesa, peruana, mexicana, cubana, italiana, portuguesa, suíça, espanhola e outros. Bairros como Ponta Negra, Tirol, e Petrópolis têm são os que mais recebem estes novos empreendimentos, não por acaso, pois, são bairros onde há o público com maior potencial de consumo da boa gastronomia. Mas, precisamos dar um destaque para um bairro de Parnamirim, que não pertence a Natal, mas está colado à capital, e tem se destacado pela quantidade de novas empresas do segmento gastronômico: Nova Parnamirim.

Em Nova Parnamirim, com destaque ás avenidas Abel Cabral e Maria Lacerda, é possível comer de tudo, desde pizzas a requintados sushis, de um simples cachorro quente de R$ 2,50 a um sofisticado sanduíche de pão australiano. Em avenidas como a Abel Cabral e Ayrton Senna, mais um destaque: os espaços Truck Foods. Estes são uma inovação interessantes, onde terreno são locados para vários truck foods de diversos tipos de comida, dando um espaço fixo aos novos empreendedores, onde eles podem receber clientes com mais conforto, oferecer espaços para crianças, etc. É como uma pequena praça de alimentação a céu aberto, mas com custo muito menor se comparado aos custo de estar em um shopping center, por exemplo.

Mas, como sempre, quando o governo não ajuda… ele ainda atrapalha. A sensação de insegurança (que não é mais apenas uma sensação) que toma conta de qualquer pessoa que mora em Natal, Grande Natal e (creio) todas as cidades do nosso pobre e abandonado RN, tem segurado consideravelmente o crescimento deste segmento. Não são poucos os relatos de assaltos e arrastões nos restaurantes de Natal e Grande Natal. E seria muito fácil depositar na Polícia toda a responsabilidade, mas sabemos que não é assim que funciona.

Se os políticos pelo menos não atrapalharem, já darão grande ajuda aos empreendedores, àqueles que se propõem a gerar emprego e renda (de verdade) neste país. Governantes: um pouco mais de respeito com quem movimenta a econômica do RN, por favor. O mercado e os possíveis novos contratados agradecem.

Política Anticorrupção: o novo diferencial competitivo das Empresas brasileiras

Ao longo dos anos e décadas, em especial a partir da segunda metade do século 20, as empresas têm sempre buscado diferenciais competitivos que as distanciam de seus concorrentes, e lhes dê um fator de preponderância frente ao cliente, seja este cliente um consumidor pessoa física, uma outra empresa, ou mesmo os governos. A qualidade, a sustentabilidade, a responsabilidade social e a governança (dentre muitas outras, é claro) parecem ter ganho uma nova companheira: a política anticorrupção.

A começar pelas maiores empresas, com faturamentos mais robustos na casa dos milhões acima, especialmente as S/A, as corporações começam a levar muito a sério duas preocupações envolvendo seus sócios e colaboradores: os códigos de conduta (ética) e políticas anticorrupção.

Estes novos itens para diferenciar uma organização de seus concorrentes, buscando chamar atenção do cliente, são frutos do momento vivido pela nação brasileira há cerca de 3 anos, onde a cada dia novos fatos chegam ao conhecimento da sociedade sobre a relação de promiscuidade e desonestidade envolvendo políticos e empresários, entidade públicas e empresas, levantando o tapete e mostrando ao país e ao mundo como de fato se dão os termos de alguns acordos entres estas partes.

Naturalmente, qualquer indivíduo com o mínimo de senso sobre o certo e o errado recebe tais informações com sentimento de repúdio, angústia, tristeza, em saber que nossa nação é governada por líderes que colocam o poder e a possibilidade de enriquecimento fácil (ilícito) acima dos interesses do Brasil. Mas, para nosso conforto, ainda que discreto, existem empresas e pessoas sérias, que buscam fazer o melhor para atender as demandas de seus clientes, e que não aceitam tais práticas ilegais em suas organizações, nos seus tratos com fornecedores e parceiros.

É fato que tratar de ética nas organizações não é algo novo. Mas, o momento vivido pelo Brasil tem realçado esta necessidade. Hoje, com o consumidor tendo o máximo poder de escolha, potencializado pela internet que ele traz à mão com seu Smartphone, além de comprar preço, qualidade, prazo de entrega, o que outros que já foram clientes dizem acerca de uma empresa, estão considerando as práticas internas e externas daquela empresa.

Será que em breve teremos um selo ISO para certificação de políticas anticorrupção nas organizações? Isso, pelo menos por enquanto, não sabemos. Uma coisa é certa: haveria um bom mercado a ser explorado em nosso maravilho Brasil, uma farta demanda.

Brasil: Aos amigos do poder, tudo; aos competentes, as normas

Com tudo isso que vem acontecendo no Brasil, uma coisa fica muito clara para qualquer empreendedor competente, que busca uma alavanca financeira, por menor que seja, em um banco público brasileiro: por mais documentos e garantias que se apresente aos gerentes dos bancos e seus famosos sistemas, essas não são páreo para uma bela “amizade” com deputados, governadores, presidentes…

Quando um empresário desapadrinhado vai a um banco público pedir empréstimo, para crescer, aumentar seus negócios, ou mesmo injetar capital de giro na empresa, ele já sabe que a caminhada será longa, cansativa, com muita chance de não lograr êxito, e pior: talvez sua empresa não aguente esperar tanto, e quebre antes. Esta é a regra. Mas ela não se aplica aos Joesleys e Marcelos, da vida. Somente aos pobres mortais, que lutam no dia a dia, venda a venda, com todos os concorrentes e demais fatores que o mercado pode oferecer.

Essa vergonha precisa acabar! Os bancos públicos foram transformados em grandes doadores para campanhas políticas e enriquecimento ilícito de políticos e pseudo empresários, ambos, na realidade, bandidos, apadrinhados pelos empréstimos legais, compra de ações, e doações legais. Como diria aquele velho âncora do jornalismo brasileiro, “isso é uma ver-go-nha”!

Só queria saber qual é a cara que os diretores dos bancos estatais fazem para os Joesleys da vida, quando olham em seus olhos e comunicam que o empréstimo foi liberado… Será que é a mesma que os gerentes das agências fazem quando negam um empréstimo a um microempreendedor? “Infelizmente o sistema não aprovou”… Creio que não.