sábado,
Premiação
O Globo de Ouro dos protestos contra o assédio em Hollywood e dos bons filmes
Cerimônia teve protesto das mulheres contra o assédio; de Oprah Winfrey foi a fala mais incisiva e Três Anúncios para um Crime ganhou o troféu principal, melhor filme de drama
Paul Drinkwater/Courtesy of NBC/Handout v
A “noite dos vestidos pretos” foi marcada pelo protesto das mulheres contra os recentes casos de assédio sexual em Hollywood

Quem viu a cerimônia do Globo de Ouro sabe que a “noite dos vestidos pretos” foi marcada pelo protesto das mulheres contra os recentes casos de assédio sexual em Hollywood.

É um marco nesse tipo de questão: não se aceita mais esse tipo de comportamento. O mundo está mudando também quanto a questões raciais e de gênero. Discriminação e violência contra mulheres, negros, indígenas e grupos LGBT não são mais aceitos.

O discurso que mais marcou esse limite foi o de Oprah Winfrey. Sincera, emotiva e lúcida, ela aludiu aos casos recentes e atrelou-os a antigas lutas contra a discriminação racial.

Concluiu que as sociedades têm seus tempos. Luta-se, às vezes de maneira desesperançada, por determinadas causas. Chega o tempo em que essas causas, justíssimas, acabam sendo abraçadas pela sociedade, ou por sua maioria. É um processo, que chega a determinado ponto depois de haver passado por etapas. A natureza não dá saltos; e nem a vida social, infelizmente.

Sobre os vencedores, algumas palavras.

Três Anúncios para um Crime, o grande vencedor, é um belo filme. Vai à América profunda para contar a história da mulher (Frances McDormand, melhor atriz) que não se conforma com a impunidade do assassino e estuprador de sua filha. Tem clima e bom andamento. Lembra às vezes aquele universo dos Coen.

A melhor comédia é Lady Bird: É Hora de Voar, direção da cult Greta “Frances Ha” Gewig. Saoirse Ronan (melhor atriz) é a adolescente em conflito com a mãe. Típico filme indie, sobre a fase adolescente e desapego ao ninho. É legal, tem frescor e imagina-se que a personagem seja alter ego da diretora, embora esta negue que seja uma autobiografia.

Como estava previsto, Gary Oldman ganhou como melhor ator por O Destino de uma Nação. Não tinha prá mais ninguém. Sua caracterização como Winston Churchill é magnífica. Retrata uma fase crucial da guerra, os dias de maio de 1940 quando Churchill tem de enfrentar a facção política que defende um acordo com Hitler. Esse período tem retornado em outros filmes, como Dunkirk e Churchill, situados durante a dramática retirada de Dunquerque.

James Franco ganhou melhor ator de comédia pelo filme que ele próprio dirigiu. Um filme a respeito de outro. Franco interpreta o excêntrico cineasta Tommy Wiseau que, com recursos próprios, dirigiu nos anos 1980 The Room, considerado “o pior filme de todos os tempos”, deixando Ed Wood no chinelo. Muitos colegas implicam com Franco. Como não tenho nada a ver com isso, diverti-me com este O Artista do Desastre.

Allison Janey ganhou como coadjuvante em Eu, Tonya, outro filme que achei interessante. Ela segue a carreira da patinadora, treinada para vencer desde a infância pela mãe tirânica e desbocada (Allison). É também um mergulho na América, na compulsão pelo sucesso a qualquer preço e independente de qualquer noção ética.

A melhor animação é Viva – A vida é uma festa, da Pixar/Disney. Com história ambientada na Festa do Dia dos Mortos, no México, é uma das melhores animações “industriais” que vi nos últimos anos. Embarca na cultura mexicana com notável colorido e senso musical. Beleza de filme.

CINEMA

Melhor filme de drama

Três Anúncios Para um Crime

Melhor atriz em filme de drama

Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime

Melhor ator em filme de drama

Gary Oldman, O Destino de uma Nação

Melhor filme de comédia ou musical

Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor atriz em filme de comédia ou musical

Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor ator em filme de comédia ou musical

James Franco, O Artista do Desastre

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney, Eu, Tonya

Melhor ator coadjuvante

Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime

Melhor diretor

Guillermo Del Toro, A Forma da Água

Melhor roteiro

Martin McDonagh, Três Anúncios Para um Crime

Melhor filme em língua estrangeira

Em Pedaços (Alemanha/França)

Melhor canção original

This Is Me, de Benj Pasek e Justin Paul para O Rei do Show

Melhor animação

Viva: A Vida é uma Festa

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat, A Forma da Água