segunda, 01 de maio de 2017
Mobilidade
Viaduto recém-inaugurado não resolve congestionamento em trecho da BR-101
Segundo o DNIT, problemas no tréfego só poderão ser solucionados quando viadutos na BR-101 na altura de Nova Parnamirim forem concluídos
Foto: Rodrigo Ferreira / Agora RN
Rodrigo Ferreira
Trecho onde equipamento foi erguido, na altura do bairro de Neópolis, apresenta lentidão

Quando foi liberado para tráfego, o viaduto de Neópolis foi muito festejado pela população. Afinal, a construção da via prometia desafogar o trânsito na região, que sofria com congestionamentos constantes naquela altura devido a aglomerações de veículos que partiam das regiões mais próximas, sobretudo do viaduto de Ponta Negra, que dá acesso à Av. Engenheiro Roberto Freire.

No entanto, desde que inaugurado, o viaduto de Neópolis ainda não solucionou o problema dos condutores. Nos horários de pico, principalmente nos períodos compreendidos entre 07h/08h e 17h30/19h30, as aglomerações continuam, as vezes até com uma maior intensidade dos que já ocorriam devido ao desvio feito para uma marginal no sentido Natal/Parnamirim, que acaba fazendo com o tráfego fique lento.

Para o especialista em mobilidade urbana e professor da UFRN, Rubens Ramos, o problema vivido atualmente em Neópolis já era previsto antes mesmo da obra ter sido iniciada. Em suma, ele acredita que a construção do equipamento naquela região era desnecessária e agora, além de continuar com os congestionamentos, acabou com qualquer perspectiva de instalação de novas empresas naquela região.

“Foi uma obra desnecessária. O mais sensato a se fazer era reestruturar o túnel da Avenida das Alagoas, que era muito útil. A construção desse viaduto será, no fim das contas, danosa até mesmo para o desenvolvimento imobiliário e comercial daquela região”, disse o professor, complementando em seguida.

“Foi criado um obstáculo por lá. Agora não se dá mais para construir um comércio ali. Quem vai colocar uma loja na frente de um túnel? Infelizmente esse viaduto vai minar o desenvolvimento daquela região. 300m antes e depois não vai se ter mais nada de novo”, lamentou Rubens.

Contatada, a superintendência regional do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT-RN), responsável pela construção do equipamento, disse que os congestionamentos na região do novo viaduto são temporários e justificáveis. Para o departamento, eles serão solucionados quando as obras dos demais viadutos que estão sendo construídos mais à frente, precisamente nas Av. Abel Cabral e Maria Lacerda, forem concluídas.

“Devido aos veículos que se destinam aos bairros de Neópolis, Pitimbu, Monte Belo, Pirangi e Nova Parnamirim quando tentam acessar o túnel sob à BR-101, esse conflito com o fluxo de veículos que trafega na marginal direita da rodovia acaba ficando inevitável”, explicou, para logo depois apontar a dor do problema, bem como sua solução.

“É importante ressaltar que o trecho em referência se encontra em obras e o disciplinamento do tráfego só será feito a contento quando os demais viadutos estiverem concluídos, assim como a continuidade das vias marginais à BR-101 nos dois sentidos de direção estiverem totalmente executadas”, justificou.

“A partir do momento que houver novas opções de trajeto, a tendência é que os usuários da da BR-101 alteram suas viagens para o trajeto mais econômico, mais rápido, mais confortável ou mais perto para ele, acabando com os problemas de congestionamento existentes naquela localidade”, concluiu.

Segundo dados fornecidos pelo próprio DNIT, a BR-101 é a principal via de acesso à cidade do Natal com fluxo médio diário de aproximadamente 70.000 veículos.