domingo,
Projeto furado?
Prometido há cinco anos, sistema de BRTs ainda não saiu do papel em Natal
Implantação do Transporte Rápido por Ônibus estava prevista para ser finalizada no final de 2015, mas não andou; Ministério das Cidades fez investimentos na capital em 2014
Reprodução
Sistema de BRTs de Natal

Quando se lançou candidato a prefeito de Natal em 2012 após passar quatro anos longe da chefia do executivo municipal, o pedetista Carlos Eduardo Alves focou bastante na melhoria do transporte público da capital potiguar como forma de atrair os eleitores. A população, então, findou garantindo a vitória do membro da família Alves no pleito daquele ano depois de um segundo turno acirrado, onde Carlos desafiou a força do peemedebista Hermano Morais, atual deputado estadual do Rio Grande do Norte.

Dentre as grandes promessas realizadas pelo líder do diretório estadual do PDT naquele ano, a implantação do moderno sistema de BRTs na capital era a principal delas. O Bus Rapid Trafic, sistema de transporte público bem mais rápido e eficiente do que o tradicional, propunha não apenas uma mudança na frota ou na infraestrutura do transporte público coletivo da cidade, mas também um conjunto de situações que, juntas, formariam um novo conceito de mobilidade urbana em Natal.

De acordo com o projeto elaborado pela Prefeitura do Natal em 2012, a intenção do Executivo era implantar cerca 26 quilômetros de BRTs em toda cidade, ligando a Zona Norte com a Zona Sul. A previsão inicial de conclusão das obras era para o final de 2015, ou seja, a um ano e quatro meses atrás. Porém, naquela época, a PMN avisava que, tanto para essas obras quanto para os outros projetos de mobilidade urbana previstos pela gestão serem executados – como por exemplo o Plano Cicloviário -, o município necessitava de recursos federais.

Em 2014, um ano antes do prazo final para conclusão do projeto dos BRTs, o Ministério das Cidades realizou investimento de R$ 340 milhões no Rio Grande do Norte, valor este que foi dividido entre a capital e os municípios de Parnamirim e Mossoró. Na ocasião, o então ministro Gilberto Magalhães Occhi, inclusive, veio a Natal para assinar o contrato de repasse da verba aos municípios, que no fim das contas acabou não sendo destinada para a promessa feita pelo prefeito natalense.

No último mês de dezembro, o Agora Jornal, por meio do seu veículo online (Portal Agora RN), tentou contatar a titular da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), Elequecina dos Santos, para questionar sobre a não execução das obras do BRTs. No entanto, as ligações acabaram não sendo atendidas. Em nova tentativa nesta quarta-feira, 19, a secretária voltou a ignorar as chamadas da reportagem, deixando a situação sem uma resposta oficial da pasta.

Também em dezembro, diante da tentativa falha de contato com a STTU, o então secretário de Obras Públicas de Natal, Tomaz Neto, respondeu ao questionamento da reportagem sobre a demora na execução do projeto. Segundo ele, o investimento do Ministério das Cidades ocorrido em 2014 não contemplou as obras dos BRTs, uma vez que não haviam recursos suficientes para se destinar a essa finalidade. Nesta quarta, também foi feita nova tentativa com o agora ex-secretário, que também não atendeu aos chamados.

Os contatos em busca de esclarecimentos também foram feitos com o Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (DEPLAN), mas a exemplo dos demais, também não tiveram sucesso.

Sobre o sistema BRT

O BRT (Bus Rapid Transit), ou Transporte Rápido por Ônibus, é um sistema de transporte coletivo de passageiros que proporciona mobilidade urbana rápida, confortável, segura e eficiente por meio de infraestrutura segregada com prioridade de ultrapassagem, operação rápida e frequente, excelência em marketing e serviço ao usuário.

O sistema não propõe apenas uma mudança na frota ou na infraestrutura do transporte público coletivo, mas sim um conjunto de mudanças que juntas formam um novo conceito de mobilidade urbana. A implementação de sistemas de trânsito de alto desempenho, eficientes e ecologicamente sustentáveis consta mundialmente da agenda política de planejadores urbanos e ambientais.

Nesse sistema, deve ser realizada a substituição permanente do trânsito individual por um atrativo transporte coletivo, promovida a segurança e a proteção para os seus passageiros, a redução de CO², bem como a diminuição de congestionamentos.