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Prometida para 2015, revitalização do Alecrim ainda não saiu do papel; Prefeitura justifica
Plano inicial, apresentado em 2009, previa investimento de R$ 25 milhões na área; Semsur afirma que outro projeto para o centro comercial deverá ser posto em prática em 2017
Reprodução / Autor desconhecido
Praça do Relógio é um dos principais pontos do bairro do Alecrim

O projeto de revitalização do bairro do Alecrim, apresentado inicialmente em 2009 pela Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA) em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado (Sebrae-RN), foi prometido pela Prefeitura do Natal, através do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), para sair do papel, no mais tardar, em 2015. Todavia, ao final de 2016, o projeto ainda não foi colocado em prática.

Em levantamento feito pelo Portal Agora RN, constatou-se que o custo inicial da obra seria de R$ 25 milhões. Ao todo, ela previa alterações na comunicação visual das empresas, no mobiliário urbano e na engenharia de trânsito, além da realocação do camelódromo da região. Atualmente, existem cerca de três mil camelôs e seis mil empresas no bairro do Alecrim, segundo informações obtidas pela reportagem junto ao presidente da AEBA, Francisco Denerval Sá.

Foto: Divulgação

Praça do Relógio seria modernizada no projeto apresentado pela AEBA em parceria com o Sebrae. (Foto: Divulgação)

No plano também estava prevista a arborização e humanização da Praça do Relógio, que consistiria na construção de um teatro de arena, um centro de formações, um museu e um café, além da implantação de nova iluminação, aquisição de um novo relógio e a construção de paradas de ônibus mais modernas do que as atuais. Um plano gerencial de resíduos, instalação de ponto verde e de coletas seletivas fechavam o projeto no tocante a urbanização.

Em matéria veiculada no site da Prefeitura com data de 24 de fevereiro de 2014, o prefeito Carlos Eduardo explicou que para aquele ano não seria possível executar o projeto devido a falta de recursos no caixa do município, porém, ele poderia vir a ser executado em 2015 caso entrasse na Lei Orçamentária Anual (LOA) de Natal no referido ano. Entretanto, uma consulta realizada na LOA 2015 constatou que, de fato, o projeto havia sido inserido no orçamento, muito embora com um investimento de apenas R$ 800 mil.

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Na Lei Orçamentária Anual de Natal referente a 2015, investimentos em reestruturação e reurbanização do centro comercial do Alecrim estavam previstos. (Foto: Divulgação / LOA)

Em contato com o Portal Agora RN, Denerval Sá lembrou do projeto e disse que a Prefeitura não deu prosseguimento ao que havia sido acordado anteriormente com os empresários do bairro. “Não deu em nada. Não pudemos contar com a Prefeitura. Carlos Eduardo alegou que estava muito envolvido com a situação da cidade e abandonou qualquer possibilidade de mudança na região para não mexer com os camelôs”, explicou.

Segundo Denerval, algumas ‘interferências’ contribuíram para que o projeto não saísse do papel conforme havia sido prometido. “Houveram interferências de todos os lados. No início havia uma pendência da Prefeitura mas ela logo foi solucionada, porém, não deram prosseguimento ao projeto, que seria muito benéfico para o comércio local”, revelou, para completar que, muito embora já tenham se passados dois anos, os empresários ainda confiam que a situação possa vir a dar certo: “Não perdemos a esperança”, disse.

Cenário atual

Foto: Ney Douglas / Agora RN

Centro comercial está sofrendo com falta de estacionamento para atender a demanda diária. (Foto: Ney Douglas / Agora RN)

Atualmente, os 12 estacionamentos que fazem parte do comércio do Alecrim não atendem a demanda de carros que buscam os serviços no centro comercial. Sá lembrou que a situação no bairro segue a mesma de outrora:

“Estamos contando com a mesma estrutura de sempre: sem estacionamento adequado e com o público andando abaixo das calçadas, uma vez que elas foram completamente tomadas pelos camelôs”, contou.

Recebendo uma média anual que ultrapassa os 3 milhões de visitantes, sendo cerca de 150 mil por dia, a localidade não oferece boas condições de mobilidade urbana. Pelo contrário: caos no trânsito e excesso de veículos dão a tônica no dia-a-dia de quem frequenta o bairro.

“Essa situação é lamentável. É a nossa maior reivindicação. A sorte é que muita gente vem de ônibus. Nós não temos mais espaços para estacionar”, disse Derneval ao Portal Agora RN em matéria veiculada janeiro deste ano.

O bairro, que arrecada cerca de 44% do ICMS que é gerado na capital, também tem outras demandas. As calçadas seguem tomadas pelos camelôs e a iluminação – segundo o presidente da AEBA – é bastante precária.

“A iluminação colocada aqui pela Prefeitura parece aquelas que a gente vê em festa do Boi Bumbá, do Bumba meu Boi. É uma cordinha com lâmpadas, é de uma precariedade absurda”, concluiu o empresário.

Outro lado

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Diante do exposto, o Portal Agora RN entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) para buscar esclarecimentos quanto ao caso. Em nota enviada à reportagem, a pasta disse que “o projeto executivo para revitalização do bairro do Alecrim está em levantamento, especificamente no que concerne à verticalização do Camelódromo e à urbanização do mercado informal”.

Segundo a nota, “ a proposta da Prefeitura é lançar em 2017 um edital de Parceria Público-Privada (PPP) para a verticalização do atual Camelódromo do Alecrim e do Mercado da Avenida Quatro, no qual o Executivo Municipal vai ofertar condições e as partes interessadas deverão apresentar a melhor oferta de concessão de uso”.

O atual projeto pensado pela Semsur, no entanto, é bem diferente do que havia sido aprovado inicialmente pelo prefeito Carlos Eduardo. No atual modelo, o Executivo vai tentar construir “de três a quatro pavimentos no mesmo local do atual Camelódromo do Alecrim”, além “de uma nova estrutura no Mercado da Avenida Quatro, que absorveria tanto os atuais comerciantes dos espaços quanto os comerciantes informais ocupantes do passeio público”.

Sobre o bairro

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Imagem antiga do bairro do Alecrim iniciando atividades como centro comercial. (Foto: Reprodução / Autor desconhecido)

Oficializado como tal pela Lei Nº 251 de 30 de setembro de 1947, o Alecrim concentra, atualmente, cerca de 31% da atividade empresarial de toda a cidade e 40% de todo comércio varejista de Natal. A presença marcante do comércio na região foi fortalecida logo após a Segunda Guerra Mundial.

O entorno do Mercado Público do Alecrim, que mais tarde sofreu realocação e atualmente é conhecido como o famoso ‘Mercado da Seis’, foi o grande responsável por proporcionar o enorme fluxo de pessoas na região a partir da década de 60. Hoje, além do Mercado da Seis, o bairro conta também com o Mercado da Quatro.

Confira abaixo um vídeo produzido pela ByNatal.com retratando o dia-a-dia do comércio do Alecrim: