Legado da Copa
Construção de túnel de macrodrenagem pode ficar R$ 9 milhões mais caro
Previsto para ser entregue em 2014, serviço segue travado por questões burocráticas; licença ambiental ainda precisa de ajustes, segundo Idema
Aléx Régis / Prefeitura do Natal
Segundo a Semov, a obra tem hoje 83% de execução

Promessa de legado estrutural ainda para a Copa do Mundo de 2014, a obra do túnel de macrodrenagem das zonas Sul e Oeste de Natal segue sem prazo oficial de entrega. Atualmente, um entrave burocrático entre a Secretaria Municipal de Obras (Semov) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) impede que a construção avance. A demora pode fazer com que o serviço fique R$ 9 milhões mais caro, em razão dos reajustes nos custos do empreendimento.

A obra de macrodrenagem – também chamada de Túnel Arena das Dunas – foi iniciada em 2013 e tinha previsão de entrega para junho de 2014. A construção prevê um túnel de 4,7 quilômetros entre as lagoas de captação pluvial no entorno da Arena das Dunas e o Rio Potengi. A ideia é acabar com 33 pontos de alagamentos causados pela chuva entre as zonas Sul e Oeste. Com 83% de execução, ainda resta a abertura de 1,2 quilômetro de túnel.

Os serviços foram paralisados ainda em 2014 para fortalecimento das paredes dos poços utilizados na escavação do túnel. Havia o risco de colapso. Diante disso, o Município foi obrigado a utilizar o sistema de “jet grouting” – aplicação de concreto nas estruturas do túnel.

O orçamento da obra aumentou outros R$ 32 milhões. Com isso, o gasto total saiu dos iniciais R$ 126 para R$ 158 milhões.

Além disso, em 2016, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu investigação para apurar a possível poluição do Rio Potengi com o descarte das águas pluviais. Foi solicitada uma análise ambiental sobre o lançamento dos efluentes. Segundo o Idema, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela prefeitura necessita de ajustes. O instituto solicitou a complementação do estudo e aguarda a apresentação desses documentos para prosseguir com o processo de licenciamento da obra.

Ainda de acordo com o Idema, foram solicitadas informações sobre as estruturas e medidas para a autodepuração do Rio Potengi. Ao todo, o órgão solicitou três demandas à Secretaria de Obras. Segundo apurou o Agora RN, o documento foi expedido no dia 23 de março deste ano. A primeira solicitação pede o aprofundamento dos reservatórios de detenção dos dispositivos de descarga de água. A segunda requer mecanismos que impeçam a infiltração nos reservatórios de detenção. E, por fim, a terceira determina a instalação de gradeamento para reter materiais sólidos na área de descarga das águas pluviais.

O titular da Secretaria de Obras, Tomaz Pereira Neto, questionou as novas demandas. “O que me estranha é que o Idema está há um ano e seis meses com a solicitação, mas só agora é que estão aparecendo coisas novas”, reclama. Segundo o secretário, a demora para a liberação da licença de operação já é responsável por elevar o valor da obra em R$ 9 milhões. Desta forma, o preço final de todo o empreendimento deve ultrapassar a marca de R$ R$ 167 milhões. “Isso vai provocar um reajustamento da obra. Como iremos honrar o contrato com a empresa?”, finaliza. A Semov espera ainda esta semana responder aos questionamentos do Idema. Caso seja liberada, a macrodrenagem será finalizada em até oito meses