Agora RN em Debate
Mãe que perdeu filha em assalto vê porte de armas como mecanismo de defesa
Karla Álvares, mãe de Karol, jovem assassinada durante assalto em 2016, acredita que a culpa da crise na segurança pública está na desordem dos Três Poderes no país
José Aldenir/ Agora Imagens
Administradora de empresas, Karla Álvares é a mãe da jovem Karol, assassinada em 2016

Segundo o levantamento de Estatísticas do Registro Civil do IBGE, o número de mortes por causas violentas entre jovens de 15 a 24 anos aumentou, nos últimos 10 anos, cerca de 121% no estado do Rio Grande do Norte. A jovem Maria Karoline Álvares, de 19 anos, entrou nessa estatística no ano de 2016, quando foi vítima de um assalto junto de sua irmã, Maria Klara, e acabou sendo atingida por um disparo acidental no peito.

Desde então, sua mãe, a administradora de empresas Karla Álvares, luta para manter a memória de sua filha viva com a Lei Karol Álvares, que auxilia outras famílias que também perderam seus filhos para a violência e precisam de apoio psicológico e jurídico. Karol, assim como dezenas de jovens em todo o Brasil, foi vítima de criminosos que possuíam porte ilegal de armas.

Para Karla, apesar de sua natureza ser pacifista, nas condições de vida atuais, onde somos ameaçados pela violência constantemente, portar armas como “mecanismo de defesa” é uma solução válida. “Porém ressalto que quando discutimos a permissão ou não do armamento da população para garantia de sua defesa é o momento de encararmos a falência do Estado no cumprimento do seu papel em garantia da vida, da segurança e da dignidade humana”, completa.

A administradora lembra que hoje, para uma pessoa comum conseguir obter o porte de arma de fogo legalmente, é preciso iniciar uma verdadeira odisseia, que inicia na Polícia Federal onde um requerimento é entregue junto de diversos documentos, incluindo uma comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o uso da arma. O cidadão que almeja adquirir o porte ainda precisa passar por um instrutor e um psicólogo da PF, que verificam a veracidade deste documento e testam a capacidade do indivíduo.

“Em contrapartida, os bandidos adquirem armas de calibre grosso, com toda facilidade e andam com elas ao seu bel prazer. Mesmo com a legalização do armamento ainda manteremos o cidadão que não tenha nenhum envolvimento com o ilícito em condição de desproporção. O meu temor é que esse cidadão busque comprar essa arma de um modo mais fácil e passemos a viver numa terra de justiceiros, não de justiça”, diz Karla.

Para ela, a solução para esta problemática está nas mãos dos Estados, que deveriam executar “ações competentes de desarmamento dos bandidos e das facções que os municiam”. Karla acredita que a desordem na segurança pública tem como fonte a falta de seriedade dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) no país, que, se cumprirem seu papel corretamente, poderiam oferecer à população um país com menos desigualdade e mais justiça.

No dia 30 de maio o Agora realiza um evento que irá colocar esse polêmico assunto em debate. O Agora RN em Debate trará especialistas que poderão discutir de forma dinâmica, interativa e inovadora. Bené Barbosa, da ONG Viva Brasil, que defende o direito ao porte legal de armas, e Daniel Cerqueira, técnico do Ipea, que é a favor da manutenção do Estatuto do Desarmamento, discutem o tema “Sociedade armada: conflito ou solução?”.

Outros dez representantes de dez organizações governamentais e não-governamentais estarão presentes para apresentar mais argumentos e enriquecer o debate. No final, os convidados irão votar para decidir quais argumentos apresentados são mais convincentes. O debate acontece no Hotel Holliday Inn, a partir das 8h. Os interessados podem se inscrever através do site www.agorarn.com.br/agoraemdebate.