Afirmação
Em nota, Correios afirmam que greve dos trabalhadores é injustificada e ilegal
Nesta segunda-feira, 12, funcionários iniciaram greve para evitar mudanças nos plano de saúde, porém, no Rio Grande do Norte, 92,48% do efetivo não aderiu à paralisação
José Aldenir/ Agora Imagens
Agência dos Correios em Natal

Em todo o Brasil trabalhadores dos Correios entraram em greve nesta segunda-feira, 12. A principal razão da paralisação, seria a tentativa de evitar mudanças nos plano de saúde dos funcionários, que envolvem a cobrança de mensalidades do titular e de dependentes.

Em nota, os Correios afirmam que mesmo reconhecendo a paralisação como um direito do trabalhador, a empresa vê a greve como um ato injustificado e ilegal, por não ter acontecido qualquer descumprimento de cláusula do acordo coletivo.

As agências do Rio Grande do Norte abriram normalmente no primeiro dia da greve. Até o fim desta manhã, todas as 170 agências funcionavam. A paralisação dos servidores, segundo a Superintendência, afetou o agendamento de serviços de urgência, como o Sedex 10.

“No Rio Grande do Norte, 92,48% do efetivo não aderiu à paralisação – o que corresponde a 1.205 empregados.”, afirmou em nota.

A empresa ainda reafirma estar passando por uma grave crise financeira e que a greve só piora a situação no geral.

Veja abaixo a nota dos Correios na íntegra:

Nota dos Correios sobre a paralisação de empregados

Os Correios vêm a público prestar esclarecimentos à sociedade sobre a paralisação de empregados que está ocorrendo nesta segunda-feira (12). Mesmo reconhecendo que a greve é um direito do trabalhador, a empresa entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria.

Com o objetivo de ganhar a opinião pública, as representações dos trabalhadores divulgaram uma extensa pauta de reivindicações que nada têm a ver com o verdadeiro motivo da paralisação de hoje: a mudança na forma de custeio do plano de saúde da categoria.

O movimento está relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa, que atualmente contempla, além dos empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares. O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho, que apresentou proposta aceita pelos Correios mas recusada pelas representações dos trabalhadores. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento no TST.

Para se ter uma ideia, hoje os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou seja, uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano.

No momento, a empresa aguarda uma decisão por parte daquele tribunal. A audiência está marcada para a tarde de hoje.

Neste fim de semana (10 e 11), os Correios já colocaram em prática seu Plano de Continuidade de Negócios, de forma preventiva, para minimizar os impactos à população. Até o momento, a paralisação está concentrada na área de distribuição — levantamento parcial realizado na manhã de hoje mostra que 87,15% do efetivo total dos Correios no Brasil está presente e trabalhando — o que corresponde a 92.212 empregados, número apurado por meio de sistema eletrônico de presença. No Rio Grande do Norte, 92,48% do efetivo não aderiu à paralisação – o que corresponde a 1.205 empregados.

Crise financeira – Conforme amplamente divulgado pelos meios de comunicação, os Correios enfrentam uma grave crise financeira, fruto da queda expressiva do volume de correspondências, objeto de monopólio, e da falta de investimentos em novos negócios, nos últimos anos, que garantissem não só a competitividade, mas também a sustentabilidade da empresa. Estes, dentre outros fatores, vêm repercutindo nas contas dos Correios e, neste momento, um movimento dessa natureza serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada da estatal e, consequentemente, de seus empregados.