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Declaração
Culpa do atraso de Natal é do Plano Diretor, diz presidente da Fecomércio
Num pronunciamento forte, na abertura do seminário “Desenvolve Natal”, nesta segunda-feira, Marcelo Queiroz afirmou que Natal, por conta de erros na ocupação do solo, ficou para trás no Nordeste
José Aldenir / Agora RN
Evento contou com uma presença seleta de autoridades, empresários, políticos e profissionais das áreas de engenharia e arquitetura

Com a revisão do Plano Diretor de Natal a ser enviada só em novembro para a votação na Câmara, o que torna quase impossível a apreciação dela no Legislativo este ano, tanto as lideranças empresariais, especialistas, como o prefeito Álvaro Dias culpam o atual mecanismo legal de ocupação do solo urbano pelo atraso da cidade.

Pelo menos foi o que ficou claro durante do seminário “Desenvolve Natal”, promovido pelo sistema Fecomércio nesta segunda-feira, 9, com a presença de especialistas nacionais para debater o Plano Diretor da Capital, cuja última atualização já passa dos 12 anos.

Com uma presença seleta de autoridades, empresários, políticos e profissionais das áreas de engenharia e arquitetura, entre os principais dirigentes de entidades dessas áreas, logo na abertura ficou claro o foco do evento, que também teve na audiência secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Daniel Nicolau: criticar duramente o atual Plano Diretor da cidade.

Em seu pronunciamento de abertura do seminário, que contou com especialistas como o urbanista Carlos Leite, professor da Universidade Mackenzie (SP), o presidente do sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz, deu o tom dessas críticas.

Disse, entre outras coisas, que “há um forte sentimento e uma firme constatação em nossa cidade de que o atual Plano Diretor não tem conseguido promover o seu esperado desenvolvimento, no sentido mais amplo”.

Foi mais longe e acrescentou que “em alguns locais da cidade os sinais de decadência são visíveis, mesmo em áreas nobres dos bairros centrais, com toda a infraestrutura pronta para servir ao cidadão”.

Para Queiroz, “ o atual Plano Diretor não foi capaz de induzir um adensamento adequado nessas áreas, fazendo com que o crescimento dos últimos 16 anos fosse direcionado para bairros periféricos da nossa cidade, sem a devida infraestrutura, ou para municípios vizinhos que compõem a região metropolitana, provocando uma injustificada e desnecessária pressão no sistema viário e de transporte público, com aumento no tempo médio de deslocamento de pessoas, quando comparado a cidades de porte bem maior do que Natal”.

Em suas ácidas observações, que depois viriam a ser endossada pelo próprio prefeito Álvaro Dias, Queiroz afirmou que a falta de uma política inclusiva e inteligente de aproveitamento do solo urbano fez com que os bairros centrais da cidade, com toda a estrutura existente como água, energia, esgoto, vias públicas transportes e escolas “se tornassem áreas proibidas às camadas sociais mais vulneráveis”.

E, para completar a sessão de pancadaria contra o atual Plano Diretor, Queiroz completou dizendo o seguinte: “Frases como ‘temos um ótimo Plano Diretor em Natal’ e ‘precisamos apenas de pequenos ajustes’, foram repetidas à exaustão, o que me parece ser um grande equívoco”.

Há seis meses, a Federação do Comércio iniciou um grupo de debates para o PD, reunindo profissionais e instituições semanalmente na sede da entidade. Queiroz explicou que a ideia era entender os motivos pelos quais, ano após ano, Natal perdia espaço para outras capitais do País no turismo, entre outros setores econômicos importantes.

“Estou plenamente convencido que as travas existentes em pontos como o gabarito e o percentual de adensamento de terrenos acabam tornando inviáveis as áreas enormes e extremamente estratégicas para o nossos desenvolvimento”, disparou Queiroz.

Citou como exemplo disso a orla urbana de Natal, que, ao ver dele, “segue incapaz de atrair investimentos turísticos de volto, de gerar mais ocupação, renda e tributos”.

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