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Batalha
Combate às drogas do Brasil é “luta perdida”, diz presidente da Sinpef-RN
Segundo ele, o máximo que as autoridades vem conseguindo é “prender as mulas do tráfico”, enquanto os grandes organizadores e financiadores da atividade criminosa continuam soltos
José Aldenir / Agora RN
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais (Sinpef/RN), José Antônio Aquino

Um dia depois da apreensão de uma tonelada de cocaína escondida dentro de um container de mangas no Porto de Natal, na tarde da segunda-feira, 13, o presidente do Sindicato dos Policiais Federais (Sinpef/RN), José Antônio Aquino, disse que o combate às drogas no Brasil é “uma guerra perdida”.

Segundo ele, o máximo que as autoridades vem conseguindo é “prender as mulas do tráfico”, enquanto os grandes organizadores e financiadores da atividade criminosa continuam soltos.

Falando em seu nome e da entidade que representa – e não pela instituição Polícia Federal – Aquino questionou o modelo de combate às drogas no País e sugeriu que o governo federal deveria examinar a liberação de algumas drogas, não mencionando quais. “Não seria cocaína”, frisou.

Em entrevista à jornalista Anna Karinna Castro, âncora do programa Jornal Agora, pelo 97,9 FM, o presidente do Sinpef-RN afirmou que o atual modelo adotado pelas polícias, no máximo, pode ser eficiente até determinado grau, mas não tem alcançado vitórias efetivas contra tráfico de drogas.

Como o método dos traficantes muda com frequência para livrá-los da prisão, “o Estado está perdendo a corrida para os criminosos”, avaliou. “Trata-se de uma visão pessoal, não institucional da Polícia Federal”, insistiu.

Ele comparou os métodos os usados de repressão às drogas à Lei Seca nos Estados Unidos, que durou de 1920 a 1933, ao que acontece hoje à repressão às drogas no Brasil. “Ela (a Lei Seca) foi extinta justamente para desarticular as gangues que enriqueceram às custas da proibição”, lembrou.

Repercussão

Para o presidente do Sindicato dos Estivadores, Lenilto Caldas, a nova apreensão de drogas no porto de Natal – a terceira este ano – não deve criar mais problemas como a CMA/CGM.

A empresa, que realiza a exportação de frutas, ameaçou deixar de operar no terminal por ocasião de duas apreensões seguidas de drogas ocorridas em fevereiro.

“Isto está acontecendo no0 Brasil todo e só este ano já tivemos apreensões nos portos de Paranaguá e do Ceará”, amenizou.

Para o sindicalista, as autoridades deveriam monitorar melhor novos exportadores e prestar mais atenção nas cargas originadas de locais sob suspeita das autoridades.

“Um quilo da pasta base de cocaína é cotada em 35 mil Euros o quilo (R$ 150 mil) e é claro que a remessa via porto é muito mais atrativa do que a pouca quantidade transportada por mulas que embarcam em aeroportos”, comparou em referências às pessoas contratadas para levar saquinhos da droga depois de engoli-las.

Da China, onde nesta quinta-feira, 16, manterá reunião com representantes do governo para decidir sobre a abertura de uma linha para o melão produzido no RN, o presidente da Agrícola Famosa, Luiz Roberto Barcelos, lamentou pelo telefone a nova apreensão de drogas.

“Isso sinaliza para medidas urgentes que mostrem a preocupação do setor pelo fato do RN estar sendo visto como rota internacional de drogas”, afirmou o empresário, que é o maior exportador de frutas do Brasil.

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