Sucesso
Serigrafista faz sucesso com ‘boate móvel’ pelas ruas de Neópolis
Apaixonado por música, ele já gastou quase o triplo do valor do veículo em aparelhagem de som, fora a iluminação de efeito discoteca
Agora RN
Avesso a curtições longe casa, Anjuli decidiu investir pesado em seu principal hobbie

Se você é morador ou costuma trafegar pelas ruas de Neópolis, no conjunto Pirangi, zona Sul de Natal, certamente já se deparou com esse Fusca marrom, desfilando com o som nas alturas – geralmente, tocando Axé Music ou Pop Rock da década de 80.

À noite, o Fusquinha rebaixado, de rodas gaúchas, chama ainda mais atenção do público. Equipado com jogo de lâmpadas led coloridas e, pasmem, máquina de fazer fumaça, o carro é uma espécie de ‘boate móvel’. Crianças querem chegar perto. Adultos se aproximam e perguntam se está à venda.

Assim tem sido a rotina do serigrafista Anjuli Varela, 56 anos, proprietário do Fusca há pelo menos 15 anos. Apaixonado por música, ele já gastou quase o triplo do valor do veículo em aparelhagem de som, fora a iluminação de efeito discoteca.

Avesso a curtições longe casa, Anjuli decidiu investir pesado em seu principal hobbie. Aonde para nos barzinhos do conjunto, há sempre alguém para desafiá-lo a ter determinada música em seu playlist. E se conselho é bom, melhor não apostar. Ele tem milhares de músicas, da década de 70 aos dias atuais, seja de qual gênero for.

A história desse automóvel é curiosa. Seu ex-dono, cunhado do serigrafista, resolveu trocar de carro e ‘aposentou’ o Fusca de 1973. “Ele estava se acabando na garagem. Algumas partes da lataria já apresentavam sinais de deterioração. Na época, não tinha dinheiro, mas queria tê-lo a todo custo. A minha proposta foi injusta, porém realista. Deu certo. Consegui trocar minha bicicleta e uma caixa de som pelo Fusquinha”.

Na medida em que recuperava a parte mecânica e funilaria, Anjuli já se preparava para a segunda parte: transformá-lo em uma discoteca ambulante, seu grande sonho de consumo.

Para isso, chegou a trabalhar dia e noite para juntar dinheiro. Após meses na labuta, conseguiu comprar potentes alto-falantes de 15 polegadas, com geração de 1.300 watts de potência pura – estilo cross over. Na medida em que o tempo ia passando, novas aquisições de equipamentos davam forma ao projeto. “Meu som é todo profissional. A qualidade acústica é ímpar. Algumas pessoas acham que rebaixei o carro, mas ele está assim por conta do peso das potências e das caixas, que ocupa todo o assento traseiro”, orgulha-se.

Com tanto sucesso por onde passa, não é difícil chegar propostas de venda. “Estava passando o Carnaval no Interior e quando voltava do almoço, havia muita gente em volta do meu carro. Um cara veio em minha direção e ofereceu 15 mil reais. Era muito dinheiro, mas lembrei o quanto me dediquei a esse sonho. Foi um processo lento, mas muito satisfatório. Não vendi meu Fusca”.