Genial
Novo Audi R8 Spyder é uma mistura incrível de Alemanha e Itália
Diferentemente do cupê, onde fica à mostra, o dez cilindros trabalha encoberto pelo compartimento da capota no Spyder
Ilustração
Testamos o novo esportivo conversível de 540 cv pelas estradas da Europa

Quando a Audi chamou Autoesporte para um tour de três dias com o Audi R8 Spyder pelos Alpes em uma viagem entre Alemanha e Itália, logo pensei: não poderia ter um lugar que simbolize melhor essa mistura cultural. Em sua segunda geração, o supercarro conjuga toda a confiabilidade e aura tecnológica alemã da Audi, com direito à estrutura de alumínio e tração quattro, ao pecaminoso V10 Lamborghini. Nada como ser dona da marca italiana, né, Audi?

Mais prática que nos Lamborghini, a entrada exige apenas um agachamento e encontrar a posição é moleza mesmo com ajustes manuais. Olha que o Audi tem apenas 1,24 metro de altura, pouco mais do que o necessário para se passar por baixo de uma cancela. A impressão germânica reforçada pela ergonomia perfeita se dilui ao dar a partida no botão vermelho do volante achatado. É como pisar no rabo de um dragão adormecido, o V10 desperta atrás dos seus ouvidos com efeito surround. Aspirado, o 5.2 respira e ronca livremente e gosta de altas rotações: os 540 cv vem aos 7.800 rpm. Um botãozinho libera o escapamento e completa a pirotecnia com estalos a cada passagem.

Diferentemente do cupê, onde fica à mostra, o dez cilindros trabalha encoberto pelo compartimento da capota no Spyder. A cobertura pode ser acionada a até 50 km/h, um processo de 20 segundos. Um defletor de acrílico atrás dos ocupantes diminui o turbilhonamento. Longe dos grandes centros e com a capota de excelente isolamento no lugar, conseguimos tocar nos 287 km/h, ainda longe dos 318 km/h de velocidade máxima. O R8 é diferente dos Audi convencionais até por ignorar o limitador eletrônico. O espírito diferente começa na manjedoura: sua fabricação é artesanal, sem tantos robôs quanto o esperado.

O nível de acabamento tem carinho de A8: você encontra plástico apenas ao tatear o console. O volante traz os ajustes dinâmicos, incluindo o Drive Select. O quadro digital de 12,3 polegadas tem várias opções, nenhuma melhor do que o conta-giros em zoom. Há dois porta-copos no porta-objetos do console, além de um espaço para trecos à frente da alavanca. O ar-condicionado tem apenas uma zona, mas exigir duas zonas, ajustes elétricos da direção e outros mimos esperados pela faixa de preço poderia elevar demais o peso, já elevado pelo dez cilindros e pela tração integral.

Só há um porém na praticidade. O porta-malas dianteiro leva apenas 112 litros e não deve ser utilizado para levar eletrônicos como um eventual laptop, culpa dos radiadores dianteiros, capazes de aquecer demais o compartimento. Como o motor em V é grandalhão, ele não deixa espaço para um segundo porta-malas, algo possível em esportivos como o Porsche 718 Boxster. Por mais que o dez cilindros tenha cárter seco e fique rente ao chão, ele não consegue competir com um motor boxer, posicionado “deitado”. Ao longo da viagem, uma van estava encarregada das bagagens.

As estradas até os Alpes da Bavária e o lago Tegernsee são estreitas e disputadas com ciclistas. Ao contrário da temporada de esqui no inverno, o verão é coalhado de turistas fazendo trekking, escaladas ou ciclismo.

 

 

Fonte: Autoesporte