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Confira as primeiras impressões do Chevrolet Corvette Stingray
A palavra 'Stingray' se refere à arraia, símbolo utilizado pela GM nas laterais do esportivo e que também serve de inspiração para as formas do carro
Divulgação
Modelo combina esportividade e conforto. Mas não vem ao Brasil

Se no Brasil o Camaro é o esportivo mais famoso da Chevrolet, nos Estados Unidos, o maior símbolo desse segmento para a marca é o veterano Corvette, também com a opção de cor amarelo. A nova geração foi apresentada, no ano passado, para comermorar os 60 anos do modelo. Ela agregou o termo Stingray – que havia aparecido na segunda e na terceira gerações. “Sempre usamos esse nome quando se trata de uma safra especial do Corvette, como acontece com os vinhos”, explica Marcos Munhoz, vice-presidente da General Motors no Brasil.

A palavra “Stingray” se refere à arraia, símbolo utilizado pela GM nas laterais do esportivo e que também serve de inspiração para as formas do carro.

O G1 experimentou o modelo nos EUA, em roteiro de cerca de 300 km, ida e volta, entre Nashville, no Tenesse, e Bowling Green, Kentucky, “berço” do Corvette. No local está a produção ainda artesanal do carro e também o Museu Nacional do Corvette, que ganhou fama mundial no começo do ano, depois que uma cratera se abriu e “engoliu” oito unidades raras do carro.

Apesar dos 60 anos de história nos EUA, no Brasil o Corvette ainda não começou sua jornada oficialmente. O carro é trazido apenas por importadoras independentes. Na avaliação da GM, o Stingray, por exemplo, que nos EUA custa a partir de US$ 53 mil (equivalente a R$ 120 mil), não teria uma procura necessária para tornar sua operação bem sucedida no mercado brasileiro, considerando impostos e toda a operação de importação.

Na sua terra-natal, o novo Corvette, com motor de 460 cavalos, disputa os fãs de carros esportivos com o SRT Viper, bem mais caro e potente (640 cv), o Jaguar F-Type V6 S (intermediária) e o Porsche 911 Carrera S, que também custa mais. Só os dois últimos estão à venda no Brasil.

De acordo com a GM, o Stingray é o Corvette “de entrada” mais potente da história. O mesmo acontece com sua versão ainda mais radical, a Z06, que chega a 659 cavalos de potência.

Corpo ‘grudado’ no banco

Os 460 cv do Corvette Stingray estão disponíveis a 6.000 rpm, e os 63,3 kgfm de torque, a 4.600 rpm. Segundo a Chevrolet, o Corvette acelera de 0 100 km/h em menos de 4 segundos. Em números exatos, o coupé é capaz de ir de 0 a 100 milhas por hora (equivalente a 96,6 km/h) em 3,8 segundos.

Mesmo carregando um motor 6.2 litros V8, o modelo está mais leve, graças ao novo chassi feito em alumínio, que pesa 57% menos, uma redução de 45 kg em relação ao antigo, de aço.

Ao volante, a sensação é de aceleração brutal, daquelas que “grudam” o corpo no banco. E o ronco do V8 completa a cena.

Apesar de muitos esportivos da atualidade já contarem com tração integral, o Corvette Stingray mantém a tradição da tração traseira.

Ao mesmo tempo em que é apreciada por quem gosta de pilotar esportivamente, essa característica exige mais atenção do motorista.

Com a força empregada pelos pneus no asfalto, o carro tende perder tração com mais facilidade, comparado aos de tração nas quatro rodas. No entanto, há a ajuda do controle de estabilidade, que atua quando as rodas traseira começam a patinar e atenua a possibilidade de uma acidente. O pacote de itens de segurança ainda traz 4 airbags, dois frontais e dois laterais.

Esportividade com conforto

Com limite de velocidade de cerca de 75 mi/h (120 km/h), nas estradas americanas utilizadas na avaliação, não foi possível levar o Corvette ao limite. Mesmo assim, o Stingray mostrou um bom resultado para a mistura de esportividade e conforto.

As suspensões são firmes para curvas e até superaram bem trechos esburacados, sem chacoalhar muito a cabine. A direção proporciona boa sensibilidade do que está acontecendo na pista e responde prontamente aos comandos.

Durante o trajeto, foi possível experimentar tanto o câmbio mecânico de 7 marchas como o automático de 8 marchas. Por sua ascendência radical, a opção manual atrai mais os que gostam de “cambiar” (fazer as trocas de marchas). Com engates curtos e precisos, a combinação com o V8 foi bem feita.

E, diferente do que se poderia esperar, as trocas automáticas não fazem o carro perder muito de seu DNA e são efetuadas com rapidez. Além disso, dão mais conforto para rodar por longas distâncias.

Teto removível

Para os que estão acostumados com esportivos apertados, baixos e difíceis de entrar, o Corvette surpreende com bom espaço interno e, mesmo com 1,85 m de altura do jornalista, não foram necessários contorcionismos para entrar no carro.

A cabine possui bom acabamento, mas sem exageros e sem muito luxo, o que combina com o “temperamento” do esportivo. Tudo o que é necessário está lá: sistema multimídia com GPS, áudio, câmera de ré, entre outros recursos, assentos e volante com ajuste elétrico.

Um detalhe interessante é o teto envidraçado, que pode ser retirado manualmente, tornando o carro quase um conversível. Basta desconectar duas travas na frente e uma atrás e retirar o teto, que pode ser acomodado no porta-malas.

Comparado a um conversível automático, o dispositivo pode parecer arcaico, já que em uma ocasião inesperada, como chuva repentina, os usuários podem se dar mal.

Mas sua simplicidade também é positiva, já que não faz o carro encarecer. Para quem faz questão, há também a versão completamente conversível do carro, que parte de R$ 57 mil (equivalente a R$ 130 mil).

Apesar de oferecer conforto, o esportivo não é nenhum carro “família”, é claro. Com espaço para levar duas pessoas e linhas compactas na traseira, o porta-malas comporta apenas malas pequenas.

Mas a bordo de um carro de 460 cv é difícil se importar com algo mais do que o desempenho. E o “sessentão” Corvette, como o vinho lembrado pelo executivo, ganhou com o passar do tempo: acolheu as novidades da indústria, as “vontades” do mercado, mas não abriu mão de sua essência.

 

 

Fonte: G1