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Compass desafia a terra para ganhar espaço e canibalizar Renegade
Durante 10 dias, reportagem testou o veículo que tem tudo para se tornar o novo fenômeno de vendas
Ilustração
Com porta-malas bem maior, ele corrige a principal deficiência do irmão Renegade

Atrair donos de Renegade que querem trocar de carro após dois anos e, ainda, acender a paixão dos milhões de brasileiros que namoram um SUV. Com esse intuito a Fiat Chrysler lançou o Compass. Mas rivais de qualidade é que não faltam para o veículo. De um lado, ele tenta convencer os mais abastados que estão de olhos nos alemães – Mercedes GLA, BMW X1 e Audi Q3, entre outros. Ao mesmo tempo, ele tem de atrair compradores de asiáticos como os da Hyundai e Kia. Mercado à parte, o melhor de tudo é rodar com o veículo.

O teste foi feito em vários trechos urbanos e nas rodovias que ligam Porto Alegre à Minas do Camaquã, localidade que pertence a Caçapava do Sul, na Região Sudoeste do Estado. Além de encarar as BR 116, 290 e 153, é preciso atravessar parte da ERS-625, no final do percurso, com direito a uma encrencada estrada de terra de 28km. Sofrido para alguns, o trecho é ideal para quem gosta de off-road.

Os mais de 20cm de altura em relação ao solo fazem o veículo superar muito bem as pedras. Mas o mais notável é o trabalho da suspensão do SUV. O veículo supera obstáculos sem deixar os passageiros chacoalhando. A exemplo do Renegade, o câmbio de nove marchas é bem escalonado e, quem quer esticar mais as marchas, tem a opção de controlar os engates pelas aletas atrás do volante.

Em uma comparação com o Renegade, o Compass, na terra, perde em arrancadas. Com 324 quilos a menos, o veículo menor é mais ágil. E, à medida em que a velocidade aumenta, fica claro que o Jeep lançado em abril de 2015 é mais apto para esse tipo de terreno – mesmo em alta velocidade, o condutor só perde a frente se abusar demais da aceleração.

Desempenho

O Compass não tem o mesmo desempenho na terra, mas está longe de ser ruim – supera, fácil, os principais concorrentes do mercado. E tem a vantagem de manter o comportamento com cinco pessoas e bagagens, algo bem complicado, por exemplo, no Renegade.

No asfalto, o Compass dá um show nos rivais. O torque do motor a diesel torna segura as ultrapassagens de veículos pesados, comuns no trecho. E, na hora de transpor buracos, a suspensão tipo McPherson da dianteira faz o comportamento ficar semelhante ao dos melhores sedãs.

O nível de ruído na cabine é semelhante ao (baixíssimo) dos irmãos Toro e Renegade. O motor a diesel ronrona como um gatinho, nada que atrapalhe. Crianças e quem tem menos de 1,60m vão sentir alguma dificuldade para ver a rua – as janelas altas deixam o design incrível, mas prejudicam a visão de baixinhos.O consumo, claro, varia muito da força do pé direito. Na terra, em ritmo forte, é melhor cuidar a autonomia, pois o Jeep chegou a fazer menos de 7km/l. No asfalto, dentro da velocidade permitida e sem tráfego pesado, sobe para 13km/l. Na cidade, a média com diesel foi de 9,6km/l.

VOLUME DE VENDAS IMPRESSIONA

Em setembro, quando foi apresentada mundialmente no Brasil, italianos e americanos foram categóricos: o Compass será o SUV mais vendido do país já em 2017. Passados três meses, o que parecia ser papo de vendedor agora se mostra bem mais perto da realidade.

De acordo com números da Fenabrave, o veículo fechou novembro como o 19º automóvel mais vendido do país, com 2.539 unidades – cinco a mais que o sedã Honda Civic. Entre os SUVs, desbancou renomados como Ford Ecosport (5º) e Toyota SW4 (6º), ficando na quarta posição. Já começa a assustar os líderes Honda HR-V, com 3.714, e Jeep Renegade, 3.351.

Quando a entidade divulgar o ranking de dezembro, tem boas chances de aparecer em terceiro lugar, posição ocupada hoje pelo Renault Duster, que no mês passado teve sua melhor performance no ano e chegou a 2.702 unidades comercializadas.

Líder em Floripa

No ranking do Rio Grande do Sul, os dois veículos da Jeep não aparecem entre os 20 primeiros. HR-V (9º), Ecosport (14º), GM Spin (17º) e Peugeot 2008 (19º) são os SUVs/Crossovers mais bem colocados. Em Porto Alegre, com 42 modelos emplacados (um a menos que o Nissan Kicks), ficou em 18º na lista geral.

Em Santa Catarina, houve o chamado processo de “canibalização”: o Compass vendeu 162 unidades e deixou para trás o Renegade, 138. Em Florianópolis, o veículo recém-lançado foi além: ocupa a sétima posição no ranking geral (à frente de populares como o VW Gol e Fiat Uno) e foi o SUV mais vendido do mês.

 

 

Fonte: Clicrbs