Futurístico
Carro voador que pode chegar a 100 km/h já é realidade; conheça
Tecnologia foi financiada por Larry Page, cofundador da Google, que já apoiou outros projetos similares, o Flyer e o Cora, criados pela startup americana Kitty Hawk
Globo, via Techtudo, Opener e BBC
BlackFly, carro voador da startup canadense Opener

A startup Opener anunciou o veículo ultraleve experimental BlackFly nessa quinta-feira (12). O transporte pode voar por cerca de 40 km a uma velocidade de quase 100 km/h. Além disso, ele é um VTOL (Vertical Take-Off and Landing), ou seja, é capaz de decolar e aterrissar na vertical. A tecnologia foi financiada por Larry Page, cofundador da Google, que já apoiou outros projetos similares, o Flyer e o Cora, criados pela startup americana Kitty Hawk.

O aparelho está em desenvolvimento há nove anos, segundo os criadores. Nesse período, BlackFly já foi submetido a mais de 1.400 voos, tendo voado mais de 12 mil milhas (cerca de 19.312 km) com carga útil. A nave também já completou 40 mil ciclos de voo, o equivalente a 25 voltas em torno da Terra. Os testes são realizados no Canadá, onde o órgão regulador da aviação concedeu autorização para o experimento.

Segundo a startup Opener, em comparação com os demais automóveis tradicionais, o BlackFly consome menos energia (apenas 245 Wh por milha) do que carros a gasolina (1.233 Wh/mi) e até elétricos, movidos a bateria (270 Wh/mi). A nave também é mais silenciosa, emitindo 72 decibéis contra 76 dBA de um carro e mais de 80 dBA de uma moto.

Contudo, o carro não foi projetado para ser dirigido em estradas. O BlackFly pode levantar voo e aterrissar sobre asfalto, grama, neve e gelo, mas não é capaz de andar nessas superfícies. Dessa forma, ele se parece mais com o Ehang 184, drone apresentado na CES 2016 como o primeiro capaz de transportar pessoas.

Os criadores garantem que o carro é fácil de operar, e os controles contam com botão para “voltar para casa”, assistente de pouso suave e treinamento compreensível, além de um joystick intuitivo. O BlackFly também tem um software de envelope de voo, mecanismo que demonstra em um gráfico quais os limites que a aeronave pode atingir para realizar uma determinada operação de forma segura. O veículo ainda conta com geofencing, sistema que usa o GPS para mostrar a localização do objeto em um mapa digital.

O VTOL é construído com fibra de carbono impregnada com epóxi e mede aproximadamente 4 metros, tanto na largura quanto no comprimento, com 1,5 metro de altura. O aparelho aguenta cerca de 113 kg de carga e, vazio, pesa 141,9 kg.

O design é projetado para responder a falhas humanas. Há três modos de voo “à prova de erros”, incluindo um para caso a bateria esteja baixa. Segundo a fabricante, o componente pode levar de 67 minutos a 7,4 horas para ser completamente carregado, dependendo da potência da fonte de alimentação.

BlackFly está em testes no Canadá e já fez mais de 1.400 voos (Foto: Divulgação/Opener)

Quando o BlackFly for comercializado, o cliente terá a opção de comprar uma versão com paraquedas balístico opcional, sistema em que a própria aeronave tem um paraquedas para casos de pane. Não há previsão para quando as vendas ocorrerão, mas os fabricantes afirmam que o preço previsto para o BlackFly será o de um carro SUV (de passeio). No entanto, quem desejar comprar o “carro voador” assim que ele for lançado terá de pagar mais caro.

O BlackFly está longe de ser pioneiro neste campo, voltado a pessoas comuns que não têm licença de pilotagem. Além dos já mencionados Flyer e Ehang 184, diversas empresas estão apostando em soluções do gênero. A Uber está investindo no uberAIR, sistema de táxi aéreo pensado para grandes cidades, enquanto Audi e Airbus firmaram parceria para testar carros voadores na Alemanha.