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Palavra Livre

por Arthur Dutra
100 anos da revolução russa

Ivanaldo Santos
Filósofo. E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br

Em 2017 comemoram-se os 100 anos da revolução socialista ocorrida, em 1917, na Rússia. No Brasil e em grande parte do mundo essa comemoração passou despercebida pela maioria da população e da comunidade de intelectuais. Com exceção de alguns eventos, na sua maioria patrocinados por partidos de extrema esquerda, quase não se falou ou se comemorou essa revolução. Apesar disso, é bom frisar que a revolução russa de 1917 foi um dos maiores e mais importantes acontecimentos do século XX.

Instalada em 1917, a revolução procurou modernizar a Rússia, um país que, no início do século XX, ainda era semifeudal e agrário, e ajudou a espalhar pelo mundo reivindicações de melhoria das condições de trabalho, aumento salarial e coisas semelhantes. A revolução russa foi uma das manifestações, no século XX, da utopia de um mundo melhor, da possibilidade de se viver uma espécie de paraíso na Terra.

No entanto, apesar de toda a utopia, a revolução trouxe para os povos sob seu domínio uma espécie de terror em escala industrial. A revolução condenou milhões a morte pelo simples fato de criticarem o regime socialista, condenou milhões a morrer de fome, condenou outros milhares a morrer nos campos de concentração, a serem presos em hospícios acusados de criticar o regime socialista. Na prática, além de desenvolvimento econômico e industrial, a revolução socialista na Rússia conseguiu ser uma espécie de fábrica de mortos, de cadáveres dos críticos do regime, uma versão enlouquecida e delirante da revolução francesa, uma personificação da razão enlouquecida e do Estado policial sem ética.

Muitas lições podem ser retiradas dos 100 anos da revolução socialista na Rússia. No entanto, uma importante lição para o século XXI – um século repleto de velhas ideologias e de velhos sonhos de construção de impérios e de colonização – é que nenhuma utopia, nenhum sonho de um mundo melhor, nenhum projeto de paraíso na Terra, de combate à pobreza ou algo semelhante pode ser colocado em pratica às custas da morte de milhões e milhões de pessoas que, por razões diversas, criticam ou não compactuam com o regime socialista. Não existem sonho, ética e esperança num ambiente onde as pessoas sabem que, desde de sempre, se criticarem o regime político ou o governante poderão ser presas, torturadas, internadas em um hospício e até mesmo assassinadas. Isto não é um sonho é um pesadelo. Nos 100 anos de revolução russa a humanidade precisa avançar ruma a um ideal político e a um modelo de Estado que combata a fome, que promova a justiça social e, ao mesmo tempo, não promova a violência e a barbárie. Essa é uma lição que muitos países, incluindo os países socialista (Cuba, etc), precisam aprender. Muito mais que comemorações, os 100 anos da revolução russa é um bom momento para o ser humano refletir e fazer um firme pacto de nunca mais repetir os erros trágicos dessa revolução.

Em defesa da liberdade: Uber sob ataque

O livre mercado está, mais uma vez, na mira do Estado brasileiro. Desta vez é o Senado Federal que pretende votar nesta semana o PLC 28/2017, que altera dispositivos da lei 12.587/2012, que versa sobre a Política Nacional de Mobilidade Urbana. O PLC 28/2017 pretende incluir os aplicativos de transporte individual de passageiros dentre os serviços regulamentados pelos Municípios brasileiros. Na prática, o que pretende o Senado é transformar aplicativos como UBER, 99 e Cabify em táxis, submetidos à autorização estatal para funcionarem, acabando, assim, com a viabilidade do serviço que já tem ampla aprovação dos usuários.

MÁS INTENÇÕES REVELADAS

A intenção de inviabilizar o UBER e demais aplicativos é tão grande que o próprio projeto de lei apresentado originalmente na Câmara dos Deputados pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP), foi redigido pelo Sindicato dos Taxistas de São Paulo (SINDTAXI-SP). A desculpa de que o projeto visa apenas “regulamentar” não se sustenta, pois está mais do que claro que o que se pretende é manter a reserva de marcado para os taxistas e, pior ainda, o controle estatal sobre a atividade de transporte de individual de passageiros

QUEM É O VILÃO?

A UBER, vendo ameaçada sua permanência no Brasil caso o projeto seja aprovado, iniciou uma campanha para mobilizar motoristas e usuários a fazerem pressão junto aos senadores para que não aprovem o PLC 28/2017. Na página criada com esta finalidade, a UBER informa que tem cerca de 500.000 motoristas cadastrados para operarem o serviço que atende a mais de 17 milhões de pessoas. Além disso, informa que o serviço gera impostos da ordem de R$ 495 milhões, mostrando, assim, que não opera irregularmente e ainda gera recursos para as municipalidades. A mobilização ganhou amplo apoio nas redes sociais. Na enquete aberta no site do Senado para colher a opinião dos brasileiros sobre o PLC 28/2017, a rejeição do projeto teve 82% dos votos. Resta saber se os senadores vão atender ao apelo dos usuários ou dos cartéis de táxis altamente controlados pela politicagem estatal.

EM DEFESA DA LIBERDADE

A rejeição do projeto de lei que na prática acaba com os aplicativos de transporte individual é um imperativo. Não só porque os referidos serviços caíram na graça do usuário em razão da qualidade e do preço, mas porque é uma contenção ao poder estatal que a tudo dispõe, regulamenta e controla com seu imenso peso. Num país que ainda ostenta os piores índices de liberdade econômica, altas taxas de desemprego e ambiente altamente hostil aos negócios, a experiência do UBER deveria ser suficiente para convencer as mentes mais arcaicas e estatistas de que o livre mercado é salutar e traz imensos benefícios. E eles são muito maiores do que as alegadas boas intenções dos governantes e dos corporativismos, que só atuam com vistas a garantir e aumentar seu poder sobre uma sociedade já sufocada.

A lição que vem da Argentina
  • Foto: The New Yorker

Desde a eleição de Maurício Macri, a Argentina vem depurando a sua vida política e econômica dos vícios do esquerdismo bolivariano, representado nas terras hermanas pelo grupo de Cristina Kirchner. Ao assumir o poder em dezembro de 2015, Macri começou a desmontar toda a estrutura carcomida deixada como herança pela ex-presidente, que legou ao país pobreza, corrupção, inflação e populismo, além de um déficit nas contas públicas de 7% do PIB. Economia fechada, emissão desenfreada de moeda, controle estatal dos preços e falta de transparência com os números da inflação trouxeram a Argentina para os piores níveis sociais, com 30% da população amargando a pobreza. Diante deste cenário aterrador, o novo presidente teve que administrar remédios amargos, pois não se cura uma doença deste tamanho com anestésicos.

REMÉDIO AMARGO QUE CURA

Em pouco tempo de medidas duras e austeras, a Argentina começou a respirar. Corte de subsídios, fim dos congelamentos dos preços represados artificialmente e redução de impostos foram imediatamente adotados pelo governo Macri. Mas ainda é pouco, dado o cenário de destruição deixado pelo kirchnerismo bolivariano, algo muito parecido com o legado do petismo ao Brasil. Por isso existe uma crítica muito procedente quanto às políticas de restruturação adotadas por Maurício Macri, que ainda não fez gestos de mexer em vespeiros como o funcionalismo público, no imenso déficit fiscal que ainda persiste, nos gastos públicos e na dívida do Estado. Em sua defesa, Macri alega o gradualismo, que seria a reforma gradual do detonado aparato estatal e econômico.

PÁGINA VIRADA

Mesmo assim, Maurício Macri foi o grande vencedor das eleições legislativas que ocorreram na Argentina no último domingo. Uma vitória sem precedentes, elevando seu partido, o Cambiemos (Mudemos, em espanhol), à condição de principal força política do país. Macri ganhou em 15 das 23 províncias do país, incluindo Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Santa Fé e o distrito federal da capital. Mesmo tendo garantido uma cadeira no Senado, Cristina Kirchner, aliada histórica de Dilma Rousseff, Lula, Hugo Chávez e Nicolás Maduro, viu seu capital político minguar após um balanço geral das eleições. O bolivarianismo argentino está com os dias contados e em breve será uma página virada.

OUSADIA DE RESULTADOS

A situação da Argentina deve ser observada com muita atenção pelo Brasil, que vive dias dramáticos. A reestruturação do estado brasileiro é medida que se impõe para ontem. Por todo o país vemos estados falidos e totalmente dependentes da União, que em breve também não poderá fazer muita coisa para acudir os pedidos desesperados de governadores e prefeitos. O remédio, claro, terá que ser amargo, de travar a boca. Mas com o tempo ele surtirá efeitos e trará, assim como na Argentina, resultados favoráveis ao país, inclusive no campo político para quem tiver a coragem de enfrentar o desafio, como estamos a presenciar na figura de um vitorioso e aprovado Maurício Macri.

O falso ídolo
  • Foto: Lourival Sant’Anna/ Estadão

Ideias precisam de bons símbolos para que cheguem aos corações sedentos por uma causa pela qual lutar. Estandartes, rostos, slogans, objetos etc., revestidos das cores certas e posicionados nos ângulos favoráveis, despertam as paixões mais escondidas e levam à ação de milhões de pessoas. O nazismo, com sua poderosa máquina de propaganda, foi capaz de usar desses elementos para convencer milhões de alemães de que Hitler e suas ideias eram dignos não só do apoio, mas também da idolatria. Caído o nazismo, restaram as técnicas de publicidade criadas ministério da propaganda nazista, que depois foram apropriadas pelo marketing corporativo. Mas é na política que os símbolos criados pela publicidade ideologicamente motivada costumam fazer um estrago maior. Vejamos o caso Che Guevara.

Ernesto “Che” Guevara não tinha nenhum atributo especial. Ao contrário, era um sujeito um tanto simplório, cujo maior feito foi ter se formado médico na Argentina. Mas a habilitação para exercer a medicina não o prendeu ao ofício, que foi logo abandonado em nome de aventuras. Nesse impulso, ele foi parar numa Cuba em efervescência, mais precisamente aos pés de Fidel Castro, este, sim, o grande arquiteto político de uma revolução que tomou o poder na ilha do Caribe. A relação de Che Guevara com Fidel Castro era de total e absoluta subordinação e dependência psicológica. Engana-se quem pensa que Che Guevara teve alguma parte nas decisões estratégicas tomadas na Cuba pré-revolucionária, que se agitava pelos lados da Sierra Maestra. Seu papel foi realmente irrelevante.

Após a tomada do poder, porém, Che Guevara revelou uma outra faceta, esta mais cruel e indigna: a de assassino. Designado para o comando de um Forte La Cabaña, Guevara usou e abusou do pelotão de fuzilamento. Foi mestre na arte da perseguição e da violência contra dissidentes, negros e homossexuais. Matou e mandou matar centenas de cubanos que não eram suficientemente alinhados aos delírios da revolução comunista, e ainda teve a ousadia de pronunciar, no plenário das Nações Unidas, que “fuzilamos, e vamos continuar fuzilando”, como a informar que tal prática horrenda tinha um caráter pedagógico e purificador de uma Cuba já em ruínas. Guevara tornava-se inconveniente e por isso Fidel Castro tinha que se livrar dele. Por ser um medíocre estrategista militar, fracassou na África e foi morto melancolicamente na Bolívia, para onde tinha ido para expandir a experiência da revolução cubana.

Mas mesmo sendo esse monstro de mediocridade e crueldade, como Che Guevara tornou-se um símbolo de luta e idealismo? Uma foto tirada do ângulo certo, que revela a imagem de um sonhador que enxerga ao longe com olhos de águia, trajado como um bom revolucionário foi o que bastou para que a publicidade socialista fizesse dele um símbolo. Mas Che Guevara é apenas isso: um produto defeituoso que foi colorido por um bom marketing para estimular os incautos a comprarem ideias fracassadas e destrutivas como o socialismo.

Armas não matam, pessoas sim!

Mais um ataque com uso de armas de fogo, e mais uma vez foi disparado o gatilho dos setores que querem impor o desarmamento da população. No caso do último atentado, ocorrido nos Estados Unidos, a reação foi mais virulenta do que o habitual. Além disso, mais uma vez foi dado pouco destaque para o fato de o atirador ter se convertido ao islamismo, e de o Estado Islâmico ter reivindicado a autoria do massacre de Las Vegas. Nada disso importa. Também não importa o fato de ser a arma um objeto inanimado. O que importa para os militantes do desarmamento é usar fatos lamentáveis como este para avançar sua agenda, sempre utilizando uma linguagem carregada de sentimentalismo a fim de ganhar mais adeptos. No Brasil esse discurso já foi mais aceito. Hoje, com a escalada da violência e com o fracasso do estatuto do desarmamento, ele tende a ter menos aceitação ainda, muito embora o barulho feito pelos setores engajados seja cada vez mais histérico. Vejamos um exemplo.

SURPRESA!

Durante o jornal da Globonews foi feita uma enquete para saber a opinião dos telespectadores sobre a permissão do porte de armas de fogo para a população. Ao longo do programa, a totalidade dos participantes discorria sobre a necessidade de aumentar o controle sobre o acesso das pessoas ao armamento civil. Mas isso não impediu que uma esmagadora maioria de 94% dos participantes respondesse o contrário, ou seja, que era a favor da facilitação do acesso da população às armas de fogo. Os jornalistas tentaram disfarçar o constrangimento, mas não foram capazes de esconder a insatisfação com um resultado absolutamente inquestionável.

REALIDADE X MUNDO ENCANTADO

Isso mostra que hoje existe uma distância gigantesca entre o que pensam e querem os expoentes da grande mídia jornalística e o anseio popular. E não sem razão, já que a vida real é bem mais cruel do que aquele universo idealizado por gente impregnada dos mantras que embalam as mentes “progressistas”, que pensam saber o que é o melhor para o mundo, sem ao menos consultar aqueles que viverão neste mundo encantado e utópico. A realidade se impõe, cedo ou tarde, e isso tem causado confusão em muita gente, principalmente sobre os “especialistas” recrutados para pintarem um quadro que interessa apenas a determinados projetos de poder, e não à população em geral.

HIPÓCRITAS PROTEGIDOS POR… ARMAS!

O direito ao porte de armas de fogo está sob ferrenho ataque no mundo inteiro, e a cada mau uso de um revólver, pistola ou fuzil, já estão todos a postos para retirar o armamento da mão das pessoas que querem, dentro dos ditames legais, um meio de defesa para os momentos em que se vê sem a proteção do aparato de segurança estatal. Mas como as situações em que o armamento salva são maioria, ainda veremos muito ranger de dentes e oportunismo por parte desses que querem um mundo de paz, mas não são capazes de fazer isso sem o auxílio de seguranças particulares fortemente armados.

A Revolta de Atlas

“A revolta de Atlas” é uma obra da escritora russo-americana Ayn Rand. Uma distopia, para ser mais exato, um cenário imaginário repleto de opressão e desespero. No universo literário criado por Ayn Rand, o mundo está completamente dominado pelo socialismo, à exceção dos Estados Unidos, que ainda resiste às investidas dos burocratas. Dagny Taggart, a protagonista da narrativa, é a jovem executiva de uma grande ferrovia que corta o país, a Taggart Transcontinental, criada por seu avô, o self made man Nat Taggart. Seu irmão, James Taggart, presidente da companhia, é um playboy com inclinações socialistas, ao melhor estilo esquerda caviar. Aliado à politicagem mais poderosa de Washington, James é um desastre na gestão da empresa e só consegue obter algum sucesso graças aos conluios com políticos. É em meio a um cenário de depressão econômica profunda que assola o mundo que a história se desenvolve.

Atlas, na mitologia grega, é o gigante condenado por Zeus a sustentar o mundo nas costas para sempre. Tomando a fábula grega como mote, Ayd Rand mostra o que acontece com o mundo quando este titã, representado no livro por homens criadores e ousados, simplesmente desiste do ofício e se rebela contra o castigo e contra a ação dos que querem amordaçá-lo para sugarem todo o seu talento. O mundo simplesmente desaba! Uma greve de cérebros começa a ganhar corpo graças à ação de um certo John Galt, que convence todos os homens e mulheres que não aceitam que o produto de suas capacidades extraordinárias seja tomado à força para sustentar parasitas a fugirem para um lugar onde poderão desenvolver todas as suas potencialidades.

A crise se aprofunda. Planejadores e burocratas se veem em apuros, e a cada sumiço trazem como solução mais controle, estatização e restrições à liberdade, sempre em nome da igualdade. A Taggart Transcontinental ainda resiste graças ao empenho de Dagny Taggart, que precisa sempre limpar a bagunça promovida por seu incompetente irmão, que gasta mais tempo em jantares e reuniões com políticos do que administrando os diversos problemas da ferrovia. Na resistência contra os destruidores estatais também está o dono de uma siderurgia, Hank Rarden, criador de um metal revolucionário, tão bom que sofre constantes ataques por parte do governo, que faz de tudo para se apropriar da sua invenção. Rarden e Dagny resistem, mas só até um certo ponto.

Convém não antecipar o final desta história. Porém, fica a pergunta notabilizada na história, e que simboliza a rebelião dos cérebros, a revolta dos capazes, o grito de “chega!” daqueles que são atacados pelos teóricos do fracasso, pelos sentimentalistas de botequim, enfim, pelos que nada produzem e muito atrapalham num mundo cuja lei é a escassez. Quem é Jonh Galt?

O sócio parasita, ou: parem de se meter nas nossas vidas!

O Uber volta para a mira dos políticos e burocratas. O Senado Federal deve votar em breve um projeto de lei (PL 28/2017) que regulamenta os aplicativos de transporte individual, trazendo-os para a tutela do aparato estatal, com todas as implicações nocivas já experimentadas por outras iniciativas surgidas na sociedade. O Uber, serviço amplamente aprovado pelos usuários brasileiros, veio para romper uma reserva de mercado brutamente controlada pelos municípios: a dos táxis. E pagará um preço alto por isso, já que despertou a ira de interesses poderosos, que usam todas as suas forças para impor restrições ao aplicativo, e para isso dão o nome de “regulamentação”. Regulamentar algo através de uma norma estatal é a melhor forma de garantir a permanência de antigos privilégios, de controlar as iniciativas da sociedade e, muitas vezes, inviabilizar o próprio negócio.

As intenções, claro, são as melhores possíveis, pelo menos no discurso. Quantos políticos não se gabam por terem aprovado um projeto de lei que regulamentou tal atividade ou profissão? Sim, é um troféu erguido com a maior das pompas, como se fosse uma vitória extraordinária do boníssimo mundo estatal contra a sempre irresponsável sociedade que teima em criar novas formas de trabalho e de atender à necessidade das pessoas. Sem essa mão estatal, que a tudo dispõe e regulamenta, o que seria de nós, pobres crianças indefesas? A necessidade de controle por parte de quem ocupa um posto na estrutura governamental, aliada à necessidade de justificar a sua presença naquele canto, formam o casamento perfeito, o pacto ideal para travar, amarrar, subjugar e inviabilizar uma sociedade inteira, que jaz cada vez mais impotente nas mãos de anjos de candura, sempre prontos a expedirem uma quantidade incontável de leis, decretos, regulamentos, portarias, resoluções, despachos etc. etc. etc. Tudo para o nosso bem, é claro.

Mas e o resultado? Eis bem aí na nossa frente. Um país infernal com sua quantidade absurda de controle. Nada se faz neste país sem a chancela do oráculo estatal, que tudo sabe e tudo vê. As grandes e as pequenas iniciativas, sempre presentes no ânimo do espírito humano, não saem sequer do papel se não levarem em consideração as constantes principais da burocracia e do arcabouço normativo estatais. Caso o façam sem este prévio consentimento, estarão fadados ao castigo, que se reveste de uma natureza pedagógica, como a indicar aos aventureiros desavisados que ele tem um sócio obrigatório, majoritário e eterno, que dita as regras, come a sua parte antes do lucro, abocanha a maior parte do lucro que existir, e não experimenta prejuízos. A não ser, claro, que seus agentes recebam uma parte por fora do sistema para que fechem, temporariamente, seus olhos, mas só para voltarem mais vorazes quando reabrirem e contemplarem o oceano de violações ao supremo poder estatal.

As brechas nas regulamentações são o que permitem a economia respirar

Por Ludwig von Mises

O intervencionismo não pode ser considerado um sistema econômico que veio para ficar.  Ele é apenas um método para a transformação do capitalismo em socialismo por meio de uma série de etapas sucessivas. Como tal, ele se difere dos esforços feitos pelos comunistas que tentam implantar o socialismo de uma só vez. A diferença não está no objetivo final do movimento político; ela está principalmente nas táticas a que cada grupo recorre para alcançar o mesmo fim que ambos ambicionam.

É graças às brechas nas inúmeras regulamentações que as economias ainda conseguem respirar. Mas esse “capitalismo de brechas” não é um sistema sustentável. É apenas um pequeno alívio. Forças poderosas já estão trabalhando intensamente para fechar essas brechas. Dia após dia a área na qual a iniciativa privada é livre para operar vai sendo severamente limitada.

Quase nada é feito para se preservar o sistema de livre iniciativa. Existem apenas centristas conciliatórios que acreditam ter obtido algum êxito por terem adiado por algum tempo uma medida especialmente ruinosa. Eles estão em constante recuo.  Eles hoje toleram medidas que há apenas dez ou vinte anos teriam considerado totalmente não aceitáveis. Daqui a poucos anos eles irão aceitar tacitamente outras medidas que hoje consideram simplesmente fora de questão.

O que precisamos não é nem de anti-socialismo nem de anti-comunismo, mas de um endossamento positivo daquele sistema ao qual devemos toda a riqueza que possibilita que hoje vivamos com mais conforto do que os grandes nobres do início do século.”

AS BOAS INTENÇÕES DE LOTAM O INFERNO

Evidente que quando um órgão estatal baixa um determinado tipo de regulamentação está repleto da maior boa vontade, justamente direcionada para uma situação que parece “solta” demais sem uma previsão normativa. Mas como as coisas devem ser melhor avaliadas pelos seus resultados, e não só pelas intenções, constatamos que um ambiente muito regulamentado simplesmente trava as iniciativas individuais e corporativas, além de criar o ambiente perfeito para o florescimento da corrupção, não só para acelerar processos que se tornam lentos em razão da burocracia criada pelos regulamentos, mas também para perpetrar a mais frontal violação à própria regulamentação. Então, surge a pergunta: até que ponto a regulamentação estatal tem servido à sociedade?

(*) Trecho do livro “Uma crítica ao intervencionismo”, do economista austríaco Ludwig von Mises, publicado no site do Instituto Mises Brasil (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2109)

Usando as palavras certas: o socialismo é devastador
  • Foto: AFP PHOTO / TIMOTHY A. CLARY

Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou recados claros e contundentes para o mundo, especialmente para Coréia do Norte, que assombra o mundo com hostilidades e bizarrices de um ditador tresloucado. O Irã, atual centro difusor do fundamentalismo islâmico e de ameaças nucleares, também recebeu mensagens fortes. Além desses regimes, outro recebeu longas palavras de reprovação por parte do Mr. President: a Venezuela de Nicolás Maduro, afogada na miséria e no autoritarismo de um velho agressor da liberdade, o socialismo.

IMPLEMENTAÇÃO DO SOFRIMENTO

Neste trecho do discurso, Trump disse o seguinte: “O problema da Venezuela não é que o socialismo tenha sido mal implementado, mas que o socialismo foi fielmente implementado. Da União Soviética a Cuba e à Venezuela, onde quer que o verdadeiro socialismo ou comunismo tenham sido adotados, geraram sofrimento, devastação e fracasso. Aqueles que pregam os princípios dessas ideologias desacreditadas apenas contribuem para o sofrimento contínuo das pessoas que vivem sob esses sistemas cruéis”. Ao final desta fala, Trump foi aplaudido pelo plenário, à exceção, claro, dos representantes da Venezuela e de Cuba.

TAPA NA CARA DOS CÚMPLICES

Donald Trump disse o que muitos líderes mundiais se recusam a dizer: o socialismo é algo em si nocivo e promotor de pobreza e ofensas à liberdade. Em suas declarações de reprovação às atrocidades patrocinadas pelo regime de Nicolás Maduro, costuma-se omitir a palavra “socialista”, algo que nem mesmo a ditadura venezuelana esconde. Ao contrário, ostenta sem nenhum pudor. Também o fazem os militantes cegos que acreditam que a revolução socialista na Venezuela, na verdade, precisa ser aprofundada, pois ainda não chegou no estágio desejado. Ao referir-se de forma clara e direta sobre a verdadeira natureza da ditadura venezuelana, Trump usa as palavras certas e, com isso, joga forte luz sobre uma das mentalidades mais perigosos de que se tem notícia. Faz mais: desfere uma merecida tapa na face daqueles que deixam de usar os termos corretos e, com esta omissão, tornam-se cúmplices da hecatombe promovida por esta ideologia costumeiramente fracassada.

IDEOLOGIA NÃO!

Donald Trump é amado por uns e odiado por outros, algo que é natural em se tratando de uma personalidade forte e destemida. No cargo que lhe confere o status de homem mais poderoso do mundo, Trump proferiu neste discurso palavras que há muito estavam esquecidas do debate público mundial e conclamou as nações do planeta, irmanadas no seio da ONU, a buscarem o bem-estar de seus povos, mas sem abrir mão de suas soberanias. Para isso, rechaçou a fórmula cega das promessas das ideologias políticas, como o socialismo, e deixou como lição algo que é do espírito de vida americano: “Nós nos pautamos por resultados, não por ideologias. Temos uma política de realismo pautado por princípios, que tem suas raízes em metas, interesses e valores compartilhados”. E é assim que deve ser.

Lula e o personagem Macunaíma
  • Foto: José Aldenir / Agora Imagens

Ivanaldo Santos

Filósofo. E-mail: ivanaldosantos@2yahoo.com.br

Em 1928 o escritor brasileiro Mário de Andrade publicou o famoso romance Macunaíma. Trata-se de um livro tenso, empolgante. Um livro onde, por diversos técnicas de produção textual, apresenta-se uma síntese da cultura e do regionalismo linguístico do Brasil. Além disso, esse romance é uma síntese bem-humorada do comportamento de amplos setores da sociedade brasileira. O personagem Macunaíma, apresentado como preguiçoso e herói sem caráter, é falastrão, conta muitas histórias, mistura o folclore com a vida real, quer ficar rico sem trabalhar, de preferência ganhando na loteria ou recebendo uma herança, é namorador, gosta de tomar uma cachaça, gosta de festas, de acordar tarde e realiza uma série de outras atividades bem próprias do cotidiano brasileiro. Macunaíma é um personagem literário que representa o cotidiano de muitos ambientes sociais brasileiros.

Hoje em dia vemos no Brasil um fenômeno muito interessante. Trata-se do ex-presidente Lula. Não está se falando do cidadão e do indivíduo Luiz Inácio da Silva, mas do quase personagem literário conhecido como Lula. Com certo espanto, vê-se que Lula é uma espécie de unanimidade. Quase todo mundo fala de Lula. Uns falam bem, são fãs do Lula, vestem camisas com o rosto do Lula e cosias semelhantes. Outros falam mal do Lula, fazem acusações e críticas. Seja pelo lado dos fãs ou pelo lado da crítica, o fato concreto é que o Lula é quase um assunto obrigatório no atual cenário cultural brasileiro.

Por que tanto interesse em Lula? Afinal, políticos e até mesmo ex-presidentes com problemas políticos existem aos montes no Brasil. Por exemplo, por que as pessoas não falam, com tanta paixão, da vida de Getúlio Vargas? Ele teve uma vida muito mais empolgante do que a do Lula.

É muito difícil dar uma resposta definitiva para a pergunta sobre o atual interesse em torno da figura do Lula. No entanto, apresenta-se um argumento forte para explicar esse interesse. O Lula ficou famoso por frases de efeito, cômicas e que beiram o messianismo. Por exemplo frases do tipo: “estou convencido que apenas eu posso recuperar este país” (Nem Jesus Cristo disse esse tipo de frase), “nunca na história desse país”, etc. Na verdade as pessoas se identificam tanto com o Lula, tanto para elogiá-lo como para criticá-lo, porque o Lula é a versão contemporânea do personagem Macunaíma de Mário de Andrade. Assim como Macunaíma é uma síntese de muitos aspectos do cotidiano brasileiro, o personagem Lula também é uma síntese do Brasil. As pessoas falam tanto em Lula porque o Lula, assim como Macunaíma, é falastrão, fala bobagem, faz todo tipo de promessa, tem fama de namorador, gosta de tomar uma cachaça, diz palavrão, fala obscenidades, critica uma entidade mágica chamada de “elite”, mistura ficção com a realidade. O Lula é a versão contemporânea de Macunaíma. Parafraseando as palavras do próprio Lula: “Nunca na história desse país um político personificou tanto o personagem literário Macunaíma”.