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Palavra Livre

por Arthur Dutra
Lula e o personagem Macunaíma
  • Foto: José Aldenir / Agora Imagens

Ivanaldo Santos

Filósofo. E-mail: ivanaldosantos@2yahoo.com.br

Em 1928 o escritor brasileiro Mário de Andrade publicou o famoso romance Macunaíma. Trata-se de um livro tenso, empolgante. Um livro onde, por diversos técnicas de produção textual, apresenta-se uma síntese da cultura e do regionalismo linguístico do Brasil. Além disso, esse romance é uma síntese bem-humorada do comportamento de amplos setores da sociedade brasileira. O personagem Macunaíma, apresentado como preguiçoso e herói sem caráter, é falastrão, conta muitas histórias, mistura o folclore com a vida real, quer ficar rico sem trabalhar, de preferência ganhando na loteria ou recebendo uma herança, é namorador, gosta de tomar uma cachaça, gosta de festas, de acordar tarde e realiza uma série de outras atividades bem próprias do cotidiano brasileiro. Macunaíma é um personagem literário que representa o cotidiano de muitos ambientes sociais brasileiros.

Hoje em dia vemos no Brasil um fenômeno muito interessante. Trata-se do ex-presidente Lula. Não está se falando do cidadão e do indivíduo Luiz Inácio da Silva, mas do quase personagem literário conhecido como Lula. Com certo espanto, vê-se que Lula é uma espécie de unanimidade. Quase todo mundo fala de Lula. Uns falam bem, são fãs do Lula, vestem camisas com o rosto do Lula e cosias semelhantes. Outros falam mal do Lula, fazem acusações e críticas. Seja pelo lado dos fãs ou pelo lado da crítica, o fato concreto é que o Lula é quase um assunto obrigatório no atual cenário cultural brasileiro.

Por que tanto interesse em Lula? Afinal, políticos e até mesmo ex-presidentes com problemas políticos existem aos montes no Brasil. Por exemplo, por que as pessoas não falam, com tanta paixão, da vida de Getúlio Vargas? Ele teve uma vida muito mais empolgante do que a do Lula.

É muito difícil dar uma resposta definitiva para a pergunta sobre o atual interesse em torno da figura do Lula. No entanto, apresenta-se um argumento forte para explicar esse interesse. O Lula ficou famoso por frases de efeito, cômicas e que beiram o messianismo. Por exemplo frases do tipo: “estou convencido que apenas eu posso recuperar este país” (Nem Jesus Cristo disse esse tipo de frase), “nunca na história desse país”, etc. Na verdade as pessoas se identificam tanto com o Lula, tanto para elogiá-lo como para criticá-lo, porque o Lula é a versão contemporânea do personagem Macunaíma de Mário de Andrade. Assim como Macunaíma é uma síntese de muitos aspectos do cotidiano brasileiro, o personagem Lula também é uma síntese do Brasil. As pessoas falam tanto em Lula porque o Lula, assim como Macunaíma, é falastrão, fala bobagem, faz todo tipo de promessa, tem fama de namorador, gosta de tomar uma cachaça, diz palavrão, fala obscenidades, critica uma entidade mágica chamada de “elite”, mistura ficção com a realidade. O Lula é a versão contemporânea de Macunaíma. Parafraseando as palavras do próprio Lula: “Nunca na história desse país um político personificou tanto o personagem literário Macunaíma”.

O que é riqueza?

Por Walter Williams

Riqueza é tudo aquilo que gera uma fonte de renda futura.

Não é a riqueza que dá valor à renda, mas sim a renda que dá valor à riqueza.  O valor de um terreno não depende do terreno em si mesmo, mas sim do valor de todos os serviços que ele permite.  Um pedaço de terra em uma cidade inglesa tem mais valor que um pedaço de terra no Zimbábue porque suas possíveis utilizações na Inglaterra (residenciais, industriais, comerciais etc.) são mais úteis para o conjunto da sociedade do que no Zimbábue.

Por outro lado, se a Inglaterra for devastada por uma guerra e Zimbábue se tornar um centro internacional de negócios, as terras do Zimbábue passarão a ser muito mais valiosas do que as da Inglaterra, ainda que, fisicamente, não tenha havido alteração nenhuma na composição destas terras.

É por isso que o preço do metro quadrado hoje em Hong Kong ou Cingapura é infinitamente superior ao valor de 50 anos atrás.  As terras são as mesmas, mas a utilidade da terra melhorou (aliás, a qualidade da terra em si pode até ter se degradado), pois o valor que subjetivamente se atribui às utilizações que o terreno proporciona se multiplicou.

Em uma sociedade formada por bilhões de pessoas, onde os recursos físicos possuem variados usos alternativos, a imensa maioria das rendas não advém automaticamente dos recursos materiais, mas sim do uso que se faz destes recursos materiais.  Isso significa que a capacidade de geração de renda depende muito mais da organização inteligente destes recursos do que da disponibilidade dos mesmos.

É exatamente por isso que a Google (e tantas outras empresas) conseguiu crescer e enriquecer mesmo tendo sido criada em uma garagem e utilizando apenas recursos próprios; e também é exatamente por isso que os governos — mesmo tendo à sua disposição muitos mais recursos (confiscados) do que qualquer empresa — não conseguem gerar nada de proveitoso.

Um poço de petróleo hoje é o mesmo poço que já existia há 100 anos.  No entanto, seu dono hoje será incomparavelmente mais rico do que o dono de 100 anos atrás, pois o petróleo hoje é utilizado em processos produtivos que geram muito mais renda do que gerava há 100 anos.

O que se pode dizer com certeza é que, em ordens sociais livres e complexas, a maior parte da riqueza de uma sociedade estará na forma de sistemas organizacionais geradores de bens e serviços (renda), isto é, de empresas que produzam bens e serviços valiosos para os consumidores; e continuará nesta forma apenas enquanto estes sistemas empresariais seguirem gerando valor para o consumidor.

Sendo assim, por que as pessoas que enriquecem desta forma estariam cometendo alguma injustiça social?

Por outro lado, são famosos os casos de megaempresas que se tornaram totalmente descapitalizadas em decorrência do simples fato de que seus bens e serviços deixaram de ter valor para o consumidor (o recente ocaso da Kodak é o mais famoso de todos).  Ninguém irá derramar lagrimas por seus executivos?

(*) Trecho do artigo “O básico sobre criação de riqueza e desigualdade de renda – e o que alguns seguem sem entender”, do filósofo e economista americano Walter Williams, publicado no site do Instituto Mises Brasil (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2387)

O que é riqueza?

Por Walter Williams

Riqueza é tudo aquilo que gera uma fonte de renda futura.

Não é a riqueza que dá valor à renda, mas sim a renda que dá valor à riqueza.  O valor de um terreno não depende do terreno em si mesmo, mas sim do valor de todos os serviços que ele permite.  Um pedaço de terra em uma cidade inglesa tem mais valor que um pedaço de terra no Zimbábue porque suas possíveis utilizações na Inglaterra (residenciais, industriais, comerciais etc.) são mais úteis para o conjunto da sociedade do que no Zimbábue.

Por outro lado, se a Inglaterra for devastada por uma guerra e Zimbábue se tornar um centro internacional de negócios, as terras do Zimbábue passarão a ser muito mais valiosas do que as da Inglaterra, ainda que, fisicamente, não tenha havido alteração nenhuma na composição destas terras.

É por isso que o preço do metro quadrado hoje em Hong Kong ou Cingapura é infinitamente superior ao valor de 50 anos atrás.  As terras são as mesmas, mas a utilidade da terra melhorou (aliás, a qualidade da terra em si pode até ter se degradado), pois o valor que subjetivamente se atribui às utilizações que o terreno proporciona se multiplicou.

Em uma sociedade formada por bilhões de pessoas, onde os recursos físicos possuem variados usos alternativos, a imensa maioria das rendas não advém automaticamente dos recursos materiais, mas sim do uso que se faz destes recursos materiais.  Isso significa que a capacidade de geração de renda depende muito mais da organização inteligente destes recursos do que da disponibilidade dos mesmos.

É exatamente por isso que a Google (e tantas outras empresas) conseguiu crescer e enriquecer mesmo tendo sido criada em uma garagem e utilizando apenas recursos próprios; e também é exatamente por isso que os governos — mesmo tendo à sua disposição muitos mais recursos (confiscados) do que qualquer empresa — não conseguem gerar nada de proveitoso.

Um poço de petróleo hoje é o mesmo poço que já existia há 100 anos.  No entanto, seu dono hoje será incomparavelmente mais rico do que o dono de 100 anos atrás, pois o petróleo hoje é utilizado em processos produtivos que geram muito mais renda do que gerava há 100 anos.

O que se pode dizer com certeza é que, em ordens sociais livres e complexas, a maior parte da riqueza de uma sociedade estará na forma de sistemas organizacionais geradores de bens e serviços (renda), isto é, de empresas que produzam bens e serviços valiosos para os consumidores; e continuará nesta forma apenas enquanto estes sistemas empresariais seguirem gerando valor para o consumidor.

Sendo assim, por que as pessoas que enriquecem desta forma estariam cometendo alguma injustiça social?

Por outro lado, são famosos os casos de megaempresas que se tornaram totalmente descapitalizadas em decorrência do simples fato de que seus bens e serviços deixaram de ter valor para o consumidor (o recente ocaso da Kodak é o mais famoso de todos).  Ninguém irá derramar lagrimas por seus executivos?

(*) Trecho do artigo “O básico sobre criação de riqueza e desigualdade de renda – e o que alguns seguem sem entender”, do filósofo e economista americano Walter Williams, publicado no site do Instituto Mises Brasil (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2387)

Café Filho, um potiguar para ser resgatado

Quando assumiu o governo a 24 de agosto de 1954, Café Filho se viu diante de uma pressão inflacionária causada pelo aumento de 100% do salário mínimo, dado em julho pelo presidente Getúlio Vargas, em discordância com a recomendação do Conselho Nacional de Economia, que apontava para um aumento de apenas 40%. Naquele momento, os salários já representavam 60% dos custos de produção, de modo que muito em breve haveria uma explosão dos preços em decorrência do colossal aumento concedido nos últimos suspiros do governo Vargas. Café Filho então baixou a Instrução 108, que reduzia a concessão indiscriminada do crédito, que também já vinha em escalada desde 1950. A medida surtiu efeito imediato.

AUSTERIDADE FISCAL

Mas Café Filho também partiu para o saneamento das finanças públicas, iniciando um período de austeridade fiscal que acompanhou todo o seu curto governo. Em discurso à nação no dia 21 de junho de 1955, Café Filho justificou as medidas de contenção de despesas, adotadas a fim de minorar os danos decorrentes dos seguidos déficits públicos amargados pelos cofres públicos: “Considerando entretanto a verdadeira situação das finanças nacionais e verificando o perigo que representaria para o futuro do país sobrecarregar o erário de novos e pesados encargos, preferimos resistir à fascinação de um brilho fácil ou de um triunfo momentâneo e ilusório, à custa de  novos sacrifícios que posteriormente iriam aguçar mais ainda os sofrimentos do povo.”. Como base neste princípio, Café Filho freou nomeações desnecessárias, reduziu despesas com viagens ao exterior, cortou representações diplomáticas e militares onde não se fazia necessário, acabou com a concessão política de crédito através do Banco do Brasil, dentre outras medidas que geraram grande desagrado na época. E então as contas estatais experimentaram significativa melhora, e foram entregues ao sucessor, Juscelino Kubitcheck, numa situação mais confortável.

LIBERDADE PARA A INICIATIVA PRIVADA

Político de raízes socialistas, oriundo do bairro das Rocas, Café Filho reviu suas convicções quando chegou ao Palácio do Catete. Compreendendo que a doutrina socialista não passava de um engodo que jamais ofereceria as bases de um país desenvolvido, Café curvou-se diante do inexorável: é preciso deixar à iniciativa privada a liberdade necessária para empreender. Em trecho de sua autobiografia, Café faz um honesto e corajoso mea culpa: “Corrigindo uma tendência socialista, que animava minhas campanhas políticas, retornei convencido da necessidade de estimular a iniciativa privada no âmbito interno”.

RESPEITO ÀS RAÍZES DA NAÇÃO

Embora fosse um homem de formação protestante, Café Filho ascendeu à Presidência da República na condição de agnóstico. Ainda assim, jamais fez disso uma bandeira política nem fonte de querelas com a religião e seus princípios. Ao contrário. Café Filho reconhecia o valor fundante do cristianismo na formação do Brasil. Em discurso de saudação aos peregrinos do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, pronunciado em 18 de julho de 1955, Café Filho manifestou todo seu reconhecimento e apreço pelo espírito cristão do povo brasileiro: “País de formação e tradições impregnadas de sentimento cristão, ostentando hoje o título de maior centro católico do mundo, o Brasil, tem perante a História e o orbe civilizado uma posição claramente definida, em que se revela a vocação de seu povo no sentido da paz e da liberdade, dentro do estilo de vida inspirado na dignidade da pessoa humana, através das origens e finalidades divinas”.

Os melhores inimigos do mundo

Dentro do espectro esquerdista e suas variantes mais e menos radicais existem dois inimigos declarados e constantes. Um deles é a Rede Globo, acusada de ser a protetora dos interesses da classe dominante e veículo de comunicação encarregado de manter os privilégios de uma sociedade opressora. Mesmo no tempo dos governos petistas, quando a Globo recebia caminhões de dinheiro público para silenciar sobre as conhecidas patifarias reveladas pela Operação Lava Jato ao grande público, ela era alvo das acusações dessa militância sempre insatisfeita. E continua sendo, só que agora com intensidade maior e com um rótulo novo: golpista. Mas será que o ódio esquerdista contra a emissora se justifica? Evidente que não. Vamos à explicação.

REDE GLOBO, A MAIS FIEL ALIADA

A Globo tem lá seus interesses políticos de momento. Sempre teve. Desde os governos militares até o atual período de Temer na presidência. Uma hora contra, outra hora a favor, sempre com base em interesses ocultos e outros nem tanto. A imensa audiência permite que ela esteja em posição de vantagem ante qualquer governante de plantão. Mas se a agenda política é volátil, há outra que é permanente e faz a alegria dessa mesma esquerda que lança chamas de ódio contra a emissora: a cultural. Novelas, programas de auditório, talk shows e até programas infantis são pródigos em propagar toda a agenda politicamente correta: ideologia de gênero, aborto, drogas, vitimismo, feminismo radical, glamourização da criminalidade, ataques à ação policial etc. O PROJAC é o parque de diversões da esquerda militante. A repulsa, portanto, é fingida e serve apenas para pressionar a emissora a avançar ainda mais com a agenda esquerdista.

BANQUEIROS MALVADOS

Há ainda outros inimigos: os banqueiros. Afogados em lucros astronômicos, permitidos graças a um sistema financeiro dos mais fechados e regulados do mundo, porém permeável às influências políticas, os bancos brasileiros fazem o mesmo jogo da Globo no que tange à agenda política. Estão sempre ao lado do governo, seja de direita, seja de esquerda. Mas quando se trata de liberar dinheiro para projetos “culturais”, só a esquerda consegue arrancar alguma coisa desses demônios contra quem vociferam. Vejam o caso do Banco Santander.

BANQUEIROS BONZINHOS

O Santander Cultural abriu espaço para uma exposição de “arte” chamada “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”. Com recursos captados por meio da Lei Rouanet, o Santander Cultural promoveu algo que pode ser caracterizado como um espanto. Com a suposta intenção de estimular a “diversidade”, a exposição é um roçado de infâmias, desrespeito e violência, que vão desde a promoção da pedofilia e zoofilia, até a mostra de hóstias pichadas com palavrões, dentre outros atentados aos símbolos da fé cristã do povo brasileiro. O curador da exposição é Gaudêncio Fidélis, amigo da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). A coisa era tão absurda que gerou uma comoção nas redes sociais, que levou o Santander a suspender a exposição. Mas engana-se quem pensa que os malditos banqueiros vão parar de apoiar as iniciativas da militância esquerdista. Este será apenas mais um pretexto para que essa minoritária militância histérica vocifere ainda mais. Mas tudo, claro, apenas para pegar mais algum dinheiro dos seus inimigos favoritos.

joesley batista
O pior casamento de todos os tempos

Foto: Adriano Machado/Reuters

A aliança espúria entre empresários e políticos revela uma faceta nada benéfica para o país, e que vai além dos rios de dinheiro desviados graças a esse casamento macabro. Acostumados a empreender sem riscos, a investir o dinheiro alheio, a abrir as torneiras para a propina, colher todo o lucro e eventualmente relegar o prejuízo para o pagador de impostos, esse tipo de empresário está muito longe de representar a esmagadora maioria dos homens e mulheres de bem que se aventuram no verdadeiro empreendedorismo, aquele que investe nas boas ideias, oferece bons serviços a quem precisa, e por isso gera emprego e desenvolvimento.

O ATALHO PARA O SUCESSO DOS MEDÍOCRES

Joesley Batista, um semianalfabeto cujo mérito foi unicamente saber transitar pelos corredores do poder em Brasília a fim de alcançar a chave do cofre felpudo do BNDES, e Marcelo Odebrecht, herdeiro de uma longa estirpe de empreiteiros que sempre estiveram agarrados ao governo do momento, seja de direita ou de esquerda, são péssimos exemplos e prestam um imenso desserviço ao país, pois reforçam a ideia degenerada, criada pelo marxismo, de que o empresário é um vilão explorador do trabalhador. Triste de uma sociedade onde essa ideia é propagada desde os primeiros passos nos bancos escolares. Mas o jogo precisa virar, pois este modelo político-econômico-cultural trouxe apenas a ruína econômica, a perdição de várias gerações e o desemprego.

EFEITO COLATERAL DA PATIFARIA

Mas se tipos como Joesley Batista e Marcelo Odebrecht merecem pena dobrada pelo tanto de patifarias que cometeram junto com a escória da classe política, não se pode jogar na mesma vala fétida toda uma classe de pessoas que luta tenazmente contra todo tipo de adversidade num ambiente de negócios altamente hostil. Há que se preservar o bom empresário, cumpridor dos seus deveres, e que tira do seu negócio o sustento da sua família, além de proporcionar o sustento de tantas outras. Mais do que isso. É preciso, urgentemente, reduzir as brechas por onde o negociante travestido de empresário entra com o auxílio da mão leve da politicagem.

PRIVATIZAÇÃO CONTRA A CORRUPÇÃO

No Brasil, apenas o Governo Federal comanda 148 estatais, sem contar as outras 119 empresas que possuem participação do BNDES. Isso sem falar das centenas de penduricalhos comandados por estados e municípios. É, portanto, um campo vastíssimo por onde transitam Joesleys e Marcelos, Lulas e Geddeis. Reduzir o Estado e preservar a imagem do empreendedor sério são os antídotos contra a esculhambação generalizada que vigora no Brasil do gigantismo estatal, dos onipresentes esquemas de corrupção e da derrocada econômica e moral promovida pelo capitalismo de compadrio que suga, sem dó nem piedade, as forças e o dinheiro do povo brasileiro.

Dinheiro brasileiro para sustentar uma ditadura
  • Foto: Independent.co.uk

Apesar de toda a propaganda e do folclore criado sobre Cuba, há uma verdade que não escapa da mente de uma pessoa minimamente bem informada: o país é paupérrimo e não oferece nenhuma liberdade ao seu povo. Essas regras, porém, admitem exceções. Os membros do Partido Comunista que governam o país desfrutam de todo luxo e liberdade dignos de países de primeiro mundo. Para estes não tem escassez nem problemas para sair do país. O turismo aberto ao público externo cuida de mostrar apenas as partes boas, claro. O resto, a verdade nua e crua do país arrasado pelos irmãos Fidel e Raul Castro, permanece oculta, embora muito real e sofrida para o povo que a vive. Mas como um país assim pode se sustentar? Talvez a resposta passe pelo Brasil, mais precisamente pelo Brasil do petismo. Foi essa resposta que trouxe o site O Antagonista, em matéria sobre o programa “Mais Médicos”, instituído pelo governo de Dilma Rousseff.

BRASIL JÁ GASTOU MAIS DE 6 BILHÕES COM MÉDICOS CUBANOS

“O Antagonista obteve dados atualizados e inéditos sobre o gasto do governo brasileiro com o Programa Mais Médicos.

Em apenas quatro anos, foram repassados à Opas (Organização Panamericana de Saúde), com destino final a Cuba, mais de R$ 5,7 bilhões.

Desse total, R$ 4,3 bilhões foram gastos com a chamada “bolsa-formação”, o nome que se dá ao “salário” dos médicos cubanos.

Como a ditadura dos Castro embolsa 75% do valor pago pelo governo brasileiro, algo em torno de R$ 3,2 bilhões foram desviados da finalidade original do programa.

A cifra é superior aos R$ 2,9 bilhões que o BNDES emprestou para obras do Porto de Mariel (R$ 2,4 bilhões), aeroporto de Havana (R$ 525 milhões) e para construção de fábricas locais (56 milhões).

Significa dizer que o Brasil entregou ao governo cubano dinheiro suficiente para construir outro porto, outro aeroporto e mais fábricas. Dinheiro que não será devolvido.

Para quem tem curiosidade, a diferença entre o total de R$ 5,7 bilhões e os R$ 4,36 bilhões das “bolsas” – cerca de R$ 1,3 bilhão – foi usada para pagamento de passagens aéreas, consultorias, auxílios diversos e com a taxa de administração da OPAS.”

IRMÃOS DE SANGUE

Os dados oficiais revelam uma relação promíscua entre o antigo governo brasileiro e a ditadura dos Castro em Cuba. Algo, aliás, nem um pouco de estranhar, visto que a irmandade ideológica que une o petismo e o castrismo é algo que não só não é negado, como exaltado e… financiado com rios de dinheiro do povo brasileiro.

Democracia ainda é a melhor solução
  • Foto: Ilustrativa / Reprodução

Ivanaldo Santos

Filósofo. E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br.

Ao longo dos últimos 100 anos o mundo tem passado por uma série de perigosas crises. São crises econômicas, políticas, institucionais, sociais e culturais. Por causa dessas crises muitos grupos sociais, segmentos de políticos, governantes e até mesmo de artistas e intelectuais têm procurado rápidas, mágicas e autoritárias soluções para resolver as crises sociais.

É preciso ver que a democracia é um regime, cujo símbolo pode ser, por exemplo, a tartaruga. O motivo é que a democracia avança de forma lenta, um passo de cada vez. A democracia, precisa de tempo para amadurecer, precisa ouvir o cidadão, precisa desagradar interesses e, nem sempre, ela consegue resolver os problemas sociais de forma rápida.

Por causa desse “espírito de tartaruga”, que existe dentro da democracia, muitos grupos sociais e políticos ficam com presa, uma espécie de síndrome da adolescência, e querem resolver os problemas sociais de forma rápida e, muitas vezes autoritárias. O exemplo clássico da síndrome da adolescência são os regimes totalitários (nazi-fascismo e socialismo) da primeira metade do século XX que propunham uma violenta presença do Estado na vida social como forma resolver conflitos sociais. Um bom exemplo dessa síndrome que assombra o mundo moderno são as ditaduras civis e militares na América Latina nos últimos 100 anos. Parece que neste continente, melhor do que a democracia, é colocar um regime autoritário para resolver conflitos sociais.

Outros exemplos podem ser dados da síndrome da adolescência que assola o mundo. Por exemplo, na Venezuela, elogiada por muitos setores da intelectualidade, existe o sistema de sucessivas reeleições, o governante pode se perpetuar no poder e, com isso, não passa de ditadura disfarçada; em Cuba, um pais cultuado por segmentos de artistas, existe uma ditadura oligárquica e família; em várias partes do mundo países (Rússia, Turquia, Síria, Líbia, Coreia do Norte, etc) que, muitas vezes, aparecem como defensores dos pobres e dos direitos civis, não passam de regimes autoritários.

O problema é que essas experiências de regimes autoritários, de regimes populistas, gastadores, com um Estado gigante, cheio de obras faraônicas, de inimigos imaginários que devem ser, em tese, combatidos, etc; nunca deu certo. Esses regimes conduziram suas respectivas populações ao empobrecimento, ao atraso tecnológico e, o pior, a experimentar a supressão da liberdade individual. A síndrome da adolescência não é o caminho que vai resolver os conflitos sociais modernos. Regimes fechados e autoritários (Cuba, Coreia do Norte, etc) não são a solução para os problemas contemporâneos. A solução desses problemas, por incrível que parece, ainda é a velha democracia. Justamente a democracia que por possui um espírito de tartaruga, muitas vezes, desagrada aos grupos políticos e ao cidadão. É muito melhor avançar devagar, com conquistas econômicas e liberdade individual, do que se aventurar com regimes populistas e autoritários e ter retrocesso econômico e limitação da liberdade. Por mais que pareça estranho a democracia ainda é a melhor solução.

Correios a caminho da privatização
  • Foto: G1

Deu no site do Instituto Liberal de São Paulo: “Mesmo possuindo o monopólio dos serviços postais instituído pela ditadura militar, isenção de impostos e diversos outros benefícios por ser uma estatal, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fechou 2016 com um prejuízo de R$ 2 bilhões, praticamente igual ao prejuízo da empresa em 2015.

Para conter o rombo da empresa, os Correios obtiveram autorização para a abertura de um Programa de Demissões Voluntárias (PDV). Os Correios possuem 117 mil funcionários e até 14 mil se enquadram nos critérios exigidos pelo PDV, que deve ser aberto ainda em janeiro. A meta é ter de 6 mil a 8 mil demissões voluntárias com economia anual entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão. O público-alvo são empregados com mais de 55 anos e tempo de serviço suficiente para requerer aposentadoria. Quem aderir ao programa receberá por dez anos um valor calculado com base na média salarial dos últimos cinco anos e no tempo de serviço.

Além disso, os Correios aumentarão novamente os preços das tarifas postais em fevereiro ou março, provavelmente em 5,83%.”

A privatização dos Correios para ser um daqueles fatos inevitáveis. Se outrora a empresa amealhava boa credibilidade junto povo brasileiro, hoje o cenário é completamente diferente – para pior! – e desolador. A gestão dos governos petistas aparelhou o fundo de pensão dos funcionários dos Correios – Postalis – e fez dele um meio de enviar o dinheiro dos funcionários para paragens nem um pouco vantajosas, tais como a Venezuela. Hoje são os próprios prejudicados que pagam a conta da gestão temerária e ideológica.

Se há um lado bom disso tudo é justamente este: a saída dos Correios das mãos do Estado. Mas se este é um passo que será fatalmente dado, ele precisa vir acompanhado de outro ainda mais importante: a abertura do mercado para outras empresas explorarem aquela parte do serviço postal que ainda é monopólio dos Correios. Abrir o mercado é prestigiar a liberdade, é permitir que o usuário tenha mais opções e possa escolher conforme for a sua conveniência. Além disso, não teremos mais desperdício de dinheiro público com algo que pode muito bem ser atendido pela iniciativa privada, nem muito menos um aparato que possa ser assaltado por grupos políticos inescrupulosos.

O extermínio dos policiais

Ivanaldo Santos

Filósofo. E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br

De forma muito triste é comum se ouvir falar de extermínio. Por exemplo, fala-se em extermínio da juventude, em extermínio da população negra, etc. Dentro dessa triste lista existe um extermínio que pouco se fala, que pouco aparece nas listas de denúncias dos grupos politizados e de comentaristas do cenário social. E o extermínio dos policiais.

Nestes dias o Rio de Janeiro bateu um triste recorde, ou seja, o 100o policial assassinato. E veja que ainda estamos no mês de agosto. Até o final do ano esse número pode chegar a 150 ou mais policiais mortos. Vale salientar que o extermínio dos policiais está acontecendo em quase todo o território nacional. Quase todos os estados têm índices preocupantes de assassinatos de policiais.

No velório do 100o policial assassinado no RJ estavam presentes os tradicionais grupos de apoio a polícia, ou seja, as famílias dos policiais, líderes religiosos, associações de policiais e grupos da sociedade civil. Neste mesmo velório também estavam ausentes os grupos que, por costume, não aparecem nos momentos críticos da policiai militar no Brasil. Entre esses grupos pode-se citar, por exemplo, grupos de artistas e intelectuais, lideranças oficiais de entidades ligadas aos direitos humanos e as universidades públicas.
Existem algumas tentativas de explicação para o atual extermínio de policiais, como, por exemplo, afirmar que a “polícia que mais mata é a que mais é assassinada”, um fruto da “atual crise vivida pelo Brasil” e que o “policial morre porque é um agente da opressão’.

Essas explicações são muito superficiais e não atingem o centro do problema. Por exemplo, não está sendo debatido no Brasil o fato de fazer muitos anos que, na maioria dos estados da federação, não existe concurso público para policiais, falta investimento em infraestrutura e em apoio médico e psicológico ao policial, falta investimento em inteligência e, o mais grave, falta investimento no combate ao crime organizado e as facções criminosas. Sem contar que no brasil, nas últimas décadas, criou-se certa cultura de glamorização do crime, de confundir organização criminosa com movimento social.

Não se muda uma realidade como essa em pouco tempo. A tendência é que a curto prazo o extermínio dos policiais continue acontecendo. No entanto, a sociedade e o cidadão precisam se conscientizar que, se existem problemas e limitações com a polícia brasileira, a situação será muito pior se houver um esvaziamento da polícia (abandono em massa da profissão, etc). A sociedade contemporânea fala muito em inclusão, em democracia e em aceitar o outro. Para o próprio bem da sociedade está na hora de incluir, de aceitar e de ajudar um segmento social muito mal visto pela chamada sociedade cult (artistas, intelectuais, etc). Esse segmento são os policiais. É melhor haver uma reforma na polícia e, com isso, transformar a polícia numa organização mais humanizada, do que assistir ao extermínio dos policiais.