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Palavra Livre

por Arthur Dutra
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Audiência de custódia

AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA: A VILÃ DO MOMENTO

A audiência de custódia virou a vilã do momento em tempos de criminalidade desenfreada. Na ânsia de simplificar as coisas na vã tentativa de facilitar a compreensão de um problema complexo, muitos dizem: a culpa é dessa audiência de custódia que solta todos os bandidos! Mas em que medida a audiência de custódia tem parte na calamidade na qual estamos mergulhados? Tenho uma teoria. Antes dela, um retorno ao passado.

SEM DEFESA, MAIS CRIMES

Quando em 2005 foi convocado o referendo para que o povo brasileiro decidisse se era a favor ou contra a proibição do comércio de armas no Brasil, um dos argumentos mais usados pelos defensores do direito à posse de armas era o seguinte: se o bandido tiver a certeza que o cidadão está desarmado, mesmo dentro de casa, se sentirá mais à vontade para praticar crimes. Certíssimo! Porém, mesmo com a esmagadora vitória do NÃO, o estatuto do desarmamento restringiu violentamente o acesso à arma de fogo até o ponto de quase impossibilitar a legítima defesa. Resultado: bandidos cada vez mais ousados diante da certeza de que não haveria resistência ao seu “trabalho”.

CERTEZA DA IMPUNIDADE

Voltando. A audiência de custódia, criada pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ, tem como finalidade evitar o encarceramento indiscriminado e injustificado, e só fazendo um exame de cada caso para saber se o flagranteado deveria ou não permanecer preso. Aqui no RN os números mostram que 47,7% dos presos em flagrante são liberados na própria audiência de custódia, percentual um pouco acima da média brasileira que é de 44,6% segundo dados do CNJ. Repito: é preciso verificar caso a caso antes de condenar em bloco o sistema ou os juízes que aplicam a branda lei penal. Porém, assim como a restrição ao porte de armas, essa situação parece ter disparado o mesmo gatilho psicológico na bandidagem, consistente no seguinte raciocínio: “se eu for preso não tem problema, pois logo me soltam nessa tal audiência de custódia”. O imediato encontro do preso com um juiz virou, no imaginário popular, sinônimo de impunidade, lamentavelmente. E é essa visão que estimula e amplia a prática de crimes, assim como a certeza de que numa investida criminosa não haverá reação armada.

CONJUNTO DA OBRA

Claro que as causas da hecatombe da segurança pública são muitas e complexas, dentre elas estão a falência do sistema carcerário, o tráfico de drogas, a leniência da lei penal e processual penal com o crime e até mesmo a glamourização/vitimização da figura do criminoso pela intelectualidade de esquerda. Porém, o efeito psicológico criado pelo desarmamento do cidadão e pela audiência de custódia sem dúvida contribuíram para chegarmos ao cenário de caos que nos assola. Quanto ao Rio Grande

De quem é a culpa pelo desastre moral?

O Brasil vive dias terríveis, os quais podem ser resumidos na violência que atinge todas as camadas da sociedade. O Estado brasileiro, apesar do seu imenso poder, do seu colossal tamanho, e de praticamente concentrar os meios de ação, nada pode fazer. Ao contrário. Não raro costuma ser a causa de vários dos nossos problemas. Mas se o país vai de mal a pior, uma parte importante desta engrenagem também não pode se arrogar o papel de vítima o tempo todo. E essa parte é a própria sociedade, compreendida como o conjunto dos indivíduos, e não apenas como uma abstração em cima de quem se pode jogar alguma culpa sem que cada membro se sinta particularmente responsável. Dois exemplos para ilustrar que algo vai muito mal na alma da nossa gente.

LEI DE GÉRSON AINDA EM VIGOR

Um funcionário de uma loja de departamentos de Natal errou o preço na etiqueta de uma Smart TV de 55 polegadas. O erro era grosseiro, pois indicava que o valor da TV era de irrisórios R$ 279,00, algo totalmente incongruente para um produto com essas especificações. Mas o que era um erro virou uma oportunidade para se dar bem. Fazendo a mais vil interpretação do Código de Defesa do Consumidor, alguns “consumidores” pegaram a loja na palavra e exigiram pagar exatamente aquele insignificante preço no televisor, mesmo que a loja, constatando o equívoco, tenha rapidamente corrigido o valor na etiqueta. E venceram a batalha, pois em seu auxílio veio o PROCON para avalizar a má-fé.

ALMAS DESTRUÍDAS

Outro episódio aconteceu no domingo, por ocasião do jogo do América contra a Juazeirense/BA pela Série D do Campeonato Brasileiro na Arena das Dunas. Ao final do jogo, e diante da desclassificação do América, pessoas que se diziam “torcedores” simplesmente destruíram várias dependências do estádio. Cenas lamentáveis de quebra-quebra que revelam uma selvageria inadmissível, ainda mais tendo como suposta motivação a derrota de um clube de futebol. Pessoas que fazem isso por uma suposta paixão pelo seu time são as mesmas que cometem outros atos de vandalismo e até crimes horrendos, pois o que arde em suas almas não é o amor por alguma coisa, e sim um ódio que só pode estimular esse tipo de comportamento destrutivo.

A PARTE QUE NOS CABE

Diante desses dois exemplos, diferentes em contexto e extensão, vemos que as peças que mantém uma civilização minimamente organizada vão muito mal. E não será o Estado a consertar isso, mesmo porque, embora imenso, é apenas isso: uma parte. Mais ainda. Não se pode esperar nada diferente, pois a entrega da sanidade de um povo nas mãos do Estado é a garantia de que ele contribuirá, pela ação proposital ou pela inépcia, na moldagem de muitas personalidades que não podem ou não querem se defender. E quando isso acontece, é sempre para piorar as coisas. A saúde moral é, acima de tudo, um dever individual. E esta tarefa, se pretende ser bem sucedida, é intransferível.

Sindicatos não querem perder a boquinha

Sindicatos e centrais sindicais não se cansam de tentar manter os privilégios descabidos. Após a aprovação pelo Congresso do fim do imposto sindical, tais entidades estão a choramingar aos pés do presidente da república na desesperada tentativa de manter a boquinha que financia seus movimentos de agitação abertamente partidários. A intenção agora é que tal “contribuição” volte por outras vias, mais precisamente por força de medida provisória, só que pior, conforme noticia o Instituto Liberal de São Paulo. A coisa é de um absurdo tão grande que só mesmo vindo dessas entidades pelegas para acreditar na proposta.  Confira abaixo.

“Centrais sindicais negociam com Temer novo imposto sindical três vezes maior do que atual

A ‘contribuição’ sindical obrigatória – aquela que obriga os trabalhadores a terem descontado um dia do salário por ano (4,5% do salário de um mês) apenas para financiar sindicatos – deixará de existir em novembro, mas o imposto pago aos sindicatos pode aumentar. Centrais sindicais negociam com o governo Temer uma nova “contribuição por negociação coletiva” que pode chegar até a 13% do salário de um mês dos trabalhadores.

Apoiada pela Central Única das Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Força Sindical, as quais dizem representar 51,8% dos trabalhadores sindicalizados, a nova contribuição será regulamentada por Medida Provisória de Michel Temer. O texto, porém, não deve trazer o valor a ser cobrado, permitindo que seja definido em assembleia geral simples e imposto a todos os trabalhadores do setor “representado” por cada sindicato, sindicalizados ou não.

O novo imposto disfarçado de “contribuição” substituiria também a contribuição assistencial e o pagamento confederativo, hoje pagos apenas por trabalhadores sindicalizados. De acordo com o IBGE, somente 19,5% dos trabalhadores brasileiros são sindicalizados, enquanto 80,5% dos trabalhadores são obrigados a financiar sindicatos por meio da atual “contribuição”. Se a nova versão do imposto sindical for aprovada, a arrecadação dos sindicatos pode pular de 3,5 bilhões de reais ao ano para até 10,2 bilhões de reais anuais (caso o desconto chegue a 13% do salário de um mês).”

Venezuela e o novo absolutismo

O absolutismo é um regime político, no qual o governante, geralmente o rei, detém o poder absoluto. É um tipo de organização política onde o governante concentra todos os poderes do Estado em suas mãos. Por isso, no absolutismo não existe a clássica divisão dos poderes, estabelecida pelo iluminismo, entre: executivo, legislativo e judiciário. No absolutismo o governante, ao mesmo tempo, aprova e executa as leis e pune os culpados. O absolutismo clássico vigorou entre os séculos XIX e XVIII. Ele pode ser sintetizado na frase: “O Estado é o governante”.

A democracia não é um regime político perfeito. A sua grande vantagem é que existe o rodício de governantes e, por sua vez, o governante (presidente, primeiro ministro, etc) tem o poder limitado pela tríplice divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). Dentro da democracia um limitador preocupante são as ditaduras e os regimes violentos. No entanto, apesar de toda ditadura ser algo negativo, violento e até mesmo bárbaro, vemos que dentro da democracia moderna, os tiranos evitam ou não conseguem concentrar todo o poder político em suas mãos. Cada ditadura tem suas próprias características (umas são técnicas, outras liberais, outras socialistas, etc), mas uma cosia une as ditaduras modernas: elas não conseguiam, até o presente momento, romper com a tríplice divisão do poder.

No entanto, dentro do atual quatro de terror e horror estabelecido na Venezuela, vemos que pela primeira vez na política contemporânea existe a real possibilidade de haver o rompimento da tríplice divisão do poder e, com isso, haver o estabelecimento de um novo absolutismo. Já não existe dúvidas do caráter autoritário do socialismo bolivariano e do governo de Nicolás Maduro. O problema é que o regime autoritário de Maduro não se limita a ser um tradicional governo de terror (prisões e tortura de civis, prisões de dissidentes políticos, de intelectuais, repressão a Igreja, etc), uma repetição do mito da república de bananas, mas, até o presente momento, se dispõe a concentrar e exercer todos os poderes da nação. Com isso, temos o rompimento da tríplice divisão do poder e, ao mesmo tempo, o restabelecimento do absolutismo, ou seja, a concentração de todo o poder político nas mãos do governante. A Venezuela, de Nicolás Maduro, é uma prova que não se pode subestimar o grau de tirania de um governante louco. Mesmo que Nicolás Maduro tenha todo o poder existente na Venezuela, mesmo assim, dentro da cabeça deste tirano, será pouco. Ele vai querer mais poder, mais capacidade de decidir sobre a vida e a liberdade das pessoas. De forma muito preocupante, vemos que atualmente a Venezuela incarna a síntese do absolutismo, ou seja, o “Estado é o governante”. Neste caso, o Estado é o próprio Nicolás Maduro. A Venezuela está apresentando ao mundo a versão moderna do absolutismo, um novo absolutismo. Cabe as democracias e aos espaços democráticos e de expressão da liberdade combater esse novo absolutismo. Com todas as limitações, a democracia ainda é muito melhor que o absolutismo.

Quem quer pagar essa conta?

Por Percival Puggina

Cláudio Humberto, em recente coluna no Diário do Poder, informou que os veículos oficiais federais custaram aos cofres públicos R$ 1,6 bilhão em 2016. O montante inclui viaturas de serviço e representação e envolve renovação da frota, manutenção e pagamento de impostos.

Quem acha que deve pagar essa conta toda, especialmente a parcela que envolve os carros de representação, levante a mão. Tais viaturas são resíduos das carruagens do Paço Real no século XIX e das liteiras conduzidas por escravos nos séculos anteriores. Afinal, ninguém realmente importante está aí para sujar sapato na poeira das ruas, misturar-se à plebe ou rodar no próprio automóvel, como se fosse, digamos assim, uma pessoa … normal, não é mesmo? De que valeria o poder sem aparatos e mordomias que o tornem objeto de cobiça? No século XXI, nós somos os cavalos da carruagem e os escravos da liteira.

Essa mentalidade é parte do problema brasileiro. É como se o chefe de família, bêbado e jogador, cobrasse à mulher e aos filhos que cortassem as próprias despesas. Falta autoridade moral. Falta autoridade moral para justificar medidas efetivamente necessárias e realmente significativas ao quadro fiscal do país quando o Congresso Nacional negocia uma boca livre de R$ 3,5 bilhões para os gastos de campanha eleitoral no ano que vem. Ou quando o Senado da República renova o contrato de locação de veículos zero quilômetro para os senadores ao custo de R$ 8,3 milhões, por 30 meses. Fazem parte do contrato duas liteiras turbinadas, com motor de 250 CC, cujo peso é sustentado pelos nossos braços.

As regalias do poder são evidências da distância que o separa do cotidiano em que se vira e contorce a nação. Basta listar alguns que a memória socorre: jatinhos da FAB, helicópteros, cartões corporativos, verbas de ostentação (eufemisticamente designadas como de “representação”), voos em 1ª classe, auxílios moradia e alimentação, adicionais (ah, os tão bem-vindos adicionais!) de vários tipos e motivos. E quanto mais distante dos olhos estiver a realidade social, maior sua distância do coração.

Enquanto isso acontece por aqui, em meio às nossas reconhecidas dificuldades, na Holanda parlamentares não têm direito a carro oficial e o prefeito vai de casa ao trabalho usando sua bicicleta. Na Suécia, nem o primeiro-ministro tem carro oficial; autoridades podem, no máximo, pedir reembolso para viagens oficiais ou se residirem a mais de 70 km de Estocolmo. Parlamentares suecos têm direito a reembolso do combustível. Na Noruega, há 20 carros para atender o governo e só o primeiro-ministro tem direito a veículo exclusivo. Em Londres, o prefeito anda de metrô ou bicicleta; ele e os vereadores recebem um vale-transporte anual para o metrô. Prefeito e vereadores da maior cidade da Europa têm compromisso de usar o transporte público.

O de que estamos falando aqui é sobre o “animus” do poder, ou seja, de sua alma, ou, ainda mais precisamente, dos sentimentos que a inspiram. Se e quando aquilo que move a alma do poder político for o indispensável espírito de serviço, estas ostentações e demasias são sumariamente rejeitadas, por aversão e coerência.

Corte de impostos faz desemprego despencar… nos EUA

Deu no site do Instituto Liberal de São Paulo – ILISP (www.ilsp.org): “Em abril desse ano, o governo de Donald Trump anunciou um plano de revisar todo o sistema fiscal do país, com uma redução de 35% para 15% os impostos para as empresas, um corte de 20 pontos percentuais.  Quatro meses depois do anúncio, os resultados já começam a aparecer. Com melhores expectativas econômicas, o Departamento do Trabalho americano anunciou que o desemprego no país atingiu o seu menor patamar desde 2001. Para colocar em prática o plano de redução de impostos, o presidente americano precisou cortar gastos e sofreu duras críticas na mídia. A redução dos gastos estatais bilionários com corporativistas ambientalistas, como George Soros, e a tentativa de revogar os custos bilionários com o Obamacare, programa de saúde estatal americano, não foram bem recebidos na mídia e muitas vezes o presidente foi acusado de não pensar nos pobres.

A redução de gastos estatais com corporativistas em outros países e o plano de reduzir gastos em assistências sociais estatais são cruciais para colocar em prática a redução de impostos. E ao invés da sociedade americana perder qualidade de vida e saúde, como alertavam os ‘especialistas’, agora possui mais empregos. Somente em julho desse ano, mais de 200 mil vagas foram criadas no território americano.

Com mais empregos, os salários dos americanos também aumentou, reduzindo a pobreza e a dependência de assistência do governo. O governo Trump voltou a aplicar, na prática, o que o ex-presidente americano Ronald Reagan já dizia: o melhor programa social é o emprego.”

O MELHOR PROGRAMA SOCIAL É UM EMPREGO

Uma lição simples de economia e governança que finalmente está sendo resgatada pelo país mais rico do mundo. Os resultados positivos eram esperados por qualquer pessoa que tenha bom senso, um mínimo conhecimento da realidade e sensibilidade para saber qual é a força que desenvolve um país e traz prosperidade ao seu povo. Não tem mistério, mas é preciso coragem e real disposição para fazer. E o Rio Grande do Norte tem muito a aprender com o bem sucedido exemplo dos Estados Unidos. As medidas impopulares de austeridade no gasto público e redução drástica de carga tributária são difíceis e trazem ônus políticos, mas se o governante é ciente do seu papel, deve tomá-las, sob pena de cair na vala comum da politicagem deletéria que preza apenas por seu próprio futuro político, e não pelo futuro do estado e sua população.

O genocídio da atualidade

O século XX foi palco dos genocídios promovidos pelo nazismo e pelo comunismo. No total, mais de 100 milhões de seres humanos foram dizimados pela sanha totalitária das ideologias políticas mais perversas já criadas pela mente humana. Nem as guerras, nem os desastres naturais, nem as doenças promoveram uma matança tão vasta e irracional quanto esses dois flagelos que se pretendiam redentores da raça humana.

O nazismo, derrotado no campo de batalha, foi soterrado com a morte de seus líderes e com o pesado julgamento que é imposto aos derrotados. O comunismo, tido por morto após a queda do Muro de Berlim, continua viçoso pelo mundo, mas agora usando outros nomes para enganar seus velhos inimigos. E por vezes consegue. O fato concreto é que o germe que está na raiz desses dois demônios continua vagando pelas mentes humanas, sempre vulneráveis aos delírios de um mundo perfeito a ser construído com as falíveis e imperfeitas mãos e razão humanas. Daí para o abismo é necessário apenas um passo.

Hoje, com o nazismo sepultado e o comunismo temporariamente sem utilizar os Gulag para combater seus inimigos, assistimos inertes a mais um genocídio. Na verdade, apenas assistimos, mas não vemos; testemunhamos, mas não queremos acreditar que é, sim, um genocídio, certamente o maior de todos os tempos. Refiro-me, claro, ao aborto.

Milita-se pelo aborto mundo afora como se fosse uma causa qualquer, equiparada a direitos prosaicos que são tolhidos e obstaculizados por uma estrutura de poder opressora. E assim vamos nós, nos passos do feminismo radical e dos planos de redução da população mundial, que contaminam os incautos com as ideias de “meu corpo, minhas regras” e “tem gente demais no mundo”, que começam assim, violentas, mas vão se infiltrando em todos os segmentos da sociedade até virarem mantras defendidos em teses acadêmicas, tribunais, hospitais e mesas de bar.

E o abortismo comemora seu genocídio. E festeja, ao som dos fogos do “progresso”, em cima dos bilhões de nascituros que nada podem fazer a não ser tentar se defender, débil e inutilmente, de substâncias abortivas e instrumentos cortantes e dilacerantes. Enquanto isso, ouvimos aplausos a cada abertura de precedentes judiciais permissivos do aborto como se fosse algo bom e justo, mas que avançam para a permissão de mais e mais casos. Isso tudo por que a porteira foi aberta para mais um capítulo trágico dessa humanidade adoecida pelo veneno de ideologias políticas que transformaram o mundo num lugar pior, muito pior de se viver.

O Estado sempre vence

O Estado mais uma vez venceu! Todo o poderio, toda a força, todo o peso do gigante de mil braços mais uma vez triunfou. Mas contra quem este imenso colosso pelejava, num campo de batalha também estatal conhecido como Câmara dos Deputados? Aparentemente contra o próprio Estado, representado pelo Procurador-Geral da República, um notório membro do corpo estatal. Estado x Estado. Presidente da República x Procurador-Geral da República, certo? Errado! Ambos os oponentes, situados no alto do arranha-céu estatal, batiam-se como elefantes em cima de um formigueiro repleto de milhões de formiguinhas. E quem são essas formiguinhas? Nós, é claro! Muitos, mas pequenos; muitos, mas soterrados pelo corpanzil que mais sufoca quanto mais se mexe. E como ele se mexe! Se mexe de manhã, de tarde e de noite. Em todas as direções e em diversas posições.

SOCIEDADE SUFOCADA PELO MONSTRO

Assim tão pesado e ao mesmo tempo flexível, ele vence. Sempre. Como ocorreu ontem naquela pitoresca sessão. Nada a comemorar, claro. Quanto aos lamentos, existem dois: continuar o Brasil atolado numa crise sem fim, comandado por um presidente acusado de corrupção, rejeitado pelo povo e com uma oposição sem nenhuma credencial para cobrar moralidade; e a certeza de que o poder estatal é implacável quando usado com habilidade. Temos, portanto, um problema visível e imediato, e outro, maior ainda, mas que é incrivelmente pouquíssimo considerado, pois está camuflado por trás das eternas, constantes, deliciosas e sempre sedutoras promessas de a tudo prover que são lançadas a cada eleição, principalmente pelos defensores do sempre fracassado socialismo e suas vertentes menos aparentes. A liberação de emendas parlamentares é um pingo no oceano de poder que está à disposição dos grupos políticos e econômicos que comandam a máquina estatal. Há muito mais armas em suas mãos, ao passo que a sociedade está cada vez mais desarmada. Em todos os sentidos.

VOCAÇÃO PARA A CLEPTOCRACIA

“Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele tem o poder de criar e impor, mais os multimilionários poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios e se beneficiar à custa dos concorrentes e da população como um todo.

Um estado grande e poderoso sempre acaba se convertendo em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada das maiorias desorganizadas (os pagadores de impostos) e direcionada para as minorias organizadas (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas).

A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.”

OU DIMINUI O ESTADO OU VAI PIORAR

Essas certeiras palavras foram escritas por Juan Ramón Rallo, economista e jurista espanhol, no artigo “Para impedir que os ricos influenciem a política, temos de aumentar o estado!”. Faz sentido?”, publicado no site do Instituto Mises Brasil (www.mises.com.br), o qual deixo como recomendação para esses dias de indignação, mas que também convidam a uma profunda reflexão acerca da verdadeira batalha a ser travada.

Venezuela e o fascismo do bem

Ivanalddo Santos

Filósofo e professor da UERN (ivanaldosantos@yahoo.com.br)

O jornalista Guilherme Fiuza ajudou a divulgar a expressão “fascismo do bem”.  Uma expressão irônica que tenta explicar um fenômeno que acontece no Brasil e em várias partes do mundo. Existe o fascismo real, histórico, da primeira metade do século XX, autoritário, negador da liberdade, que desejava recriar o Império Romano e muito mais. Na sociedade contemporânea estamos cheios de países e grupos sociais quase com as mesmas características do fascismo histórico, um novo fascismo. Apesar disso existem algumas estruturas sociais (grupo de artistas e intelectuais, setores da universidade, da diplomacia e da política) que defendem, de forma apaixonada, esse novo fascismo. Por essa lógica, existe o fascismo histórico, que é inaceitável, mas existe o fascismo do bem, aquele fascismo que, por mais que seja autoritário e violento, deve ser aceito porque promove algum tipo de inclusão social ou coisa semelhante. O fascismo do bem segue a velha lógica brasileira de que “a culpa é do vizinho, meu filho nunca fez nada errado”. Por essa lógica, fascismo ruim é o que aconteceu na Itália, na primeira metade do século XX, é o governo dos EUA, os cristãos, os grandes empresários e outras categorias. Agora um governo, por mais que seja autoritário e violento, se for apresentado como social ou algo parecido, então será o fascismo do bem.

Um bom exemplo do fascismo do bem é a atual situação vivida pela Venezuela. Policiais violentos e assassinos temos em todo mundo. Deve-se denunciar e combater a violência policial. No entanto, temos visto quase que um discurso de legitimação do uso da violência repressora na crise da Venezuela. Esse discurso é feito pelos grupos que sempre denunciam a violência da polícia. A lógica é a seguinte: se a violência for da polícia do Brasil ou dos EUA é fascismo histórico, isso é um ato antiético, mas se a violência for praticada pela polícia da Venezuela é o fascismo do bem, deve ser aceito e até elogiado.  Crises sociais tem no mundo inteiro. Crises que geram fome, miséria e desgastes políticos. Geralmente essas crises são apresentadas como atos ou políticas fascistas, são criticadas, antiéticas. No entanto, se a crise for na Venezuela bolivariana, governada por Nicolás Maduro, que está à beira de um colapso humanitário, aí a crise já não é mais antiética, ela passa a ser o fascismo do bem. Governo e governantes autoritários tem em quase todo mundo. É comum vermos, pela grande mídia, notícias de governantes que usam a estrutura do Estado para se promover e perseguir adversários políticos. Essa postura é rejeitada, acusa-se, dentre outras cosias, de ser um ato fascista e antiético. No entanto, quando se trata da atual Venezuela a coisa muda de figura. No cenário internacional, poucos países são tão autoritários como a Venezuela, mas no caso da Venezuela tem sempre alguém para justificar, para dizer que é para o bem do povo, etc. Antigamente governos autoritários ficavam no poder alegando que estavam defendendo a pátria, a soberania nacional, etc. Hoje o discurso mudou, hoje em dia existe o fascismo do bem, o fascismo politicamente correto que legitima o novo fascismo, o fascismo do século XXI.

 

Mais uma tragédia na Venezuela

A situação na Venezuela agrava-se a cada dia. No último fim de semana, por ocasião da votação do plebiscito para a Assembleia Nacional Constituinte, as forças militares do ditador Nicolás Maduro mataram 14 cidadãos venezuelanos em confrontos nas ruas de Caracas. O plebiscito foi boicotado pela oposição, que não reconhece a legitimidade de uma nova constituição elaborada nos moldes propostos pelo regime do sucessor de Hugo Chávez. Diversos países do mundo negaram reconhecimento ao resultado do plebiscito, dentre eles o governo brasileiro.

BRASILEIROS QUE APOIAM A DITADURA SOCIALISTA

No Brasil, o regime autoritário de Nicolás Maduro conta com o irrestrito apoio de partidos como PT e PCdoB. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, falou em nome do partido e empenhou sua solidariedade ao governo Maduro. Em seu perfil no Twitter, o escritor petista Leonardo Boff disse o seguinte: “Pode-se ter críticas ao governo do Maduro, mas ninguém de esquerda pode estar contra seu governo, porque a alternativa é a volta da direita”. Ou seja, não importa que a população esteja passando fome e morrendo nas ruas por lutar por sua libertação das garras de um regime socialista que detonou o país. Essa cumplicidade é criminosa e revela um grau inadmissível de comprometimento com o autoritarismo. Diante disso fica a pergunta: será que PT do Rio Grande do Norte subscreve o apoio ao ditador Nicolás Maduro?

OS PERIGOS DE UM PAÍS EM CHAMAS

A situação tende a se agravar ainda mais, com novos capítulos sangrentos e lamentáveis. É algo que interessa – e muito – ao Brasil, não só por ser um país vizinho, com quem temos relações humanitárias e comerciais, mas porque é altamente nocivo ter ao nosso lado um regime aliado de narcotraficantes e até grupos terroristas islâmicos como o Hezbollah. É que o vice-presidente do país, Tareck Al Aissami, chavista histórico de origem síria, é acusado de acobertar terroristas com passaportes falsos e comandar um grande esquema de remessa de drogas a partir da Venezuela, dentre outros crimes ligados ao tráfico internacional de drogas. Tal acusação levou o governo americano a bloquear a quantia de U$ 500 milhões do patrimônio de Al Aissami e de seus testas-de-ferro.

O BRASIL NÃO PODE SE OMITIR

A comunidade internacional aos poucos vai abrindo os olhos para o barril de pólvora que virou a Venezuela. O Brasil, que vive uma guerra civil não declarada, com mais 70 mil mortes por ano, muitas delas ligadas ao tráfico de drogas, deve ficar ainda mais atento ao desenrolar dos fatos e, mais do que isso, tomar medidas duras para ajudar o povo venezuelano a se livrar do ditador Nicolás Maduro e todos os seus agentes e aliados. Afinal, a Venezuela sob o chavismo bolivariano tem sido porta de entrada e difusora de mazelas como o narcotráfico e o terrorismo islâmico.